Hoje, na CBN, uma interessante discussão originada pelo fato de o Ministério da Educação (MEC) ter lançado recentemente um livro com o sugestivo nome de "Por uma vida melhor", no qual são convalidadas expressões erradas do falar popular como, por exemplo, "nóis pega o peixe". O livro já estaria sendo distribuído às escolas do país. Com a polêmica naturalmente gerada, a explicação do MEC é que a inclusão deste tipo de expressões visa combater a discriminação que muita gente sofre por não saber falar corretamente.
Num país com as dificuldades e os desafios do Brasil é de se esperar que milhares, talvez milhões de brasileiros não saibam conjugar corretamente os verbos. Contudo, o fato de a maioria em seu bairro/cidade/estado falar errado não torna esse jeito de falar correto. E ninguém vai "viver melhor" por falar errado. Ao contrário, a língua faz parte dos bens fundamentais da cidadania. Falar errado significa degradação. Em lugar de validar esse jeito de falar, quiçá pitoresco, mas certamente errado, o MEC deveria se preocupar com ensinar as pessoas a falarem corretamente.
Os que passamos dos 50 pertencemos a uma geração para a qual falar errado - e diversas outras coisas hoje tidas como "normais" - era uma vergonha. As famílias de todos os níveis sociais procuravam que seus fillhos, desde pequenos, aprendessem a se expressar corretamente. Para tanto, nos faziam estudar gramática, sintaxe, literatura; ouvíamos rádio, líamos livros e jornais, e procurávamos falar e escrever como os melhores locutores, escritores e jornalistas o faziam.
Parece que isto saiu definitivamente de moda. Hoje falar errado é bonito, como também ser maleducado, trombar com as pessoas na rua, furar a fila, não se importar com o próximo. Vemos isto nos lugares que frequentamos a diario. E isto não é exclusivo de classe baixa: com freqüência vejo papéis, latas, sacos de lixo sendo jogados de carrões em bairros de alto padrão.
Tudo isto é produto de uma demagogia nefasta, mas muito em voga ultimamente, que inculca nas pessoas a idéia errada de que a gente tem direitos, mas não tem obrigações. Lamentável.
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