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Mostrando postagens de 2011

Perguntas sobre o caso Center Norte

Dias atrás, o Shopping Center Norte, segundo maior de São Paulo e que dá emprego a milhares de pessoas, foi interditado por ação conjunta da Cetesb, empresa estadual de saneamento, e a PMSP. Inaugurado em 1984, o Center Norte foi construído em um terreno de propriedade da família Baumgart onde até 1975 funcionou um lixão. O motivo alegado para a interdição é o continuo vazamento de gás metano proveniente dos resíduos que ainda permanecem no solo. Dias depois, os habitantes do Conjunto Habitacional “Cingapura” da Av. Zachi Narqui, construído nos anos ’90 durante a administração municipal de Paulo Maluf, foram ameaçados de evacuação pelos mesmos motivos. Não há dúvida que o objetivo primordial das administrações estadual e municipal deve ser a proteção e segurança de lojistas, fornecedores, empregados e clientes que freqüentam esse centro de compras, como também dos moradores do conjunto habitacional. Porém, certas perguntas continuam sem resposta. Por que somente agora, quase três d...

Juízes acima da lei?

Lamentável o pedido do presidente do TJ-SP, Des. José Roberto Bedran, para que a Secretaria da Segurança Pública crie a figura do “Delegado Especial” para cuidar de ocorrências policiais que envolvam juízes e desembargadores. O pedido vem na esteira do episódio envolvendo o Juiz Francisco Orlando de Souza, quem em 9/10 se envolveu em briga de trânsito e foi detido pela polícia sob suspeita de dirigir embriagado, além de ser flagrado sem habilitação. Como sempre acontece nestes casos, o detido negou a embriaguez e foi liberado no mesmo dia. Apesar do antecedente negativo, dias depois o mesmo juiz Francisco Orlando de Souza foi promovido a desembargador por antiguidade, ocasião em que, segundo a Folha, seus colegas criticaram a detenção e levantaram suspeitas sobre a conduta do delegado de polícia que atuou no caso. Conforme as normas vigentes, quando um juiz ou desembargador é detido por delito comum, a polícia deve comunicar o TJ. Porém, a comunicação pode ser feita pelo delegado at...

Calcinha e sutiã

Finalmente o Conar (Conselho de Autoregulamentação Publicitária) avaliou, e não achou nada de errado no comercial de lingerie que mostra uma famosa top model brasileira dando ao marido uma má notícia, primeiro do jeito errado – toda vestida – e depois do jeito certo: trajando sugestiva lingerie. A suspensão do comercial tinha sido solicitada pela SPM (Secretaria de Políticas para Mulheres), órgão diretamente ligado – não podia ser diferente – à Presidência da República. Com quase 40 ministérios, e grande número de secretarias com status de ministério, a SPM é mais um no cipoal de órgãos com que PT e PMDB continuam aparelhando o governo. No comercial em questão, para sustentar seu pedido de suspensão, a SPM alegou que a peça publicitária degradava a imagem da mulher. Ora, a modelo não faz outra coisa que aquilo que, desde o início dos tempos, mulheres bonitas sempre fizeram: usar seus atributos físicos para conseguir o que querem. Quem for incapaz de entender isto, ou não conhece a ...

Shoot the Messenger

Interessante o que vem ocorrendo com os diversos governos ditos "de esquerda" que atualmente ocupam praticamente todo o mapa da América Latina: uma vez no poder agem exatamente igual, e com a mesma boçalidade, que as ditaduras militares de direita que padecemos em décadas passadas. Diziam combater a ditadura de direita, mas ao chegar ao poder se sovietizam. O mais recente exemplo é o documento do PT prévio ao seu 4° Congresso, que vai de hoje até domingo em Brasília. Em um dos trechos, o documento rejeita a "faxina anticorrupção" que teria sido empreendida pela presidente Dilma , e joga as culpas na "oposição aliada a uma conspiração midiática" .  São quase as mesmas palavras usadas, por exemplo, pelo governo da presidente argentina Cristina Kirchner para explicar - na prática, negar - os diversos casos de corrupção de sua administração. Ora, após as eleições de 2010, a oposição perdeu no Congresso Brasileiro ainda mais espaço do que tinha. Além disto...

Já jogou a toalha

No começo de julho houve no Ministério dos Transportes uma série de demissões que, além do ministro “não-sou-lixo”, arrastou poderosos funcionários de alta patente – a maioria de um partido de aluguel chamado PR – que manejavam grandes somas de dinheiro público a discrição e com inegável amor familiar. A seguir, as denúncias no Ministério da Agricultura, desta vez deflagradas pelo clássico caso do parente que, excluído da partilha, acaba dedurando os outros integrantes do esquema. Tudo sazonado com um criativo nepotismo cruzado. O ministro de sorriso mafioso conseguiu se segurar um pouco, mas acabou demitido. Na seqüencia, veio a operação da PF que detectou falcatruas diversas no Ministério do Turismo. Aqui avançamos um pouco mais, com diversos integrantes da quadrilha algemados e fotografados - apesar de sua feiúra - como vieram ao mundo. O pequeno ministro de olhar engraçado ainda tenta dar explicações – que não convencem ninguém. Muitos ficamos entusiasmados com o que parecia...

Algemas, por que não?

Nos últimos dois meses vêm acontecendo “faxinas” em (até agora) três ministérios atingidos por diversas denúncias de corrupção, desvio de dinheiro público, nepotismo, etc. No dos Transportes, a informação da grande quantidade de obras superfaturadas somente chegou até a opinião pública graças ao eficiente trabalho de jornalistas. No Ministério da Agricultura, a insólita rede de nepotismo cruzado e as falcatruas com alimentos destinados à população só foram conhecidas porque um dos membros do esquema perdeu a boquinha, e resolveu dar com a língua nos dentes. É lamentável constatar que, nestes dois casos, a corrupção não tenha sido denunciada e/ou descoberta por qualquer órgão de controle, a polícia, ou a justiça. Somente no Ministério do Turismo os desvios foram desvendados pela “Operação Voucher” da Polícia Federal – aparentemente levada a cabo sem conhecimento do seu chefe máximo, o Ministro da Justiça. Porém, bastou aparecerem fotos dos fraudadores algemados para que algumas autori...

Lixo, sim.

Quando dias atrás o ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, retomou sua banca no Senado, pronunciou uma frase no mínimo insólita, que de imediato foi motivo de chacota nos meios. “Eu não sou lixo. Meu partido não é lixo”, disse o senador, que pediu demissão no início de julho sem sequer iniciar a investigação das muitas falcatruas em seu ministério, conforme lhe tinha sido encomendado pela presidente Dilma Rousseff. A frase chama a atenção porque, apesar de ninguém tê-lo chamado assim, o qualificativo é bem merecido, tal a quantidade de obras superfaturadas que ocorriam debaixo do seu nariz. Sob o comando de seu partido de aluguel, o PR, a estrutura do Ministério dos Transportes era uma verdadeira organização mafiosa, em que as obras eram contratadas não em função do interesse nacional, e sim do lucro que podiam gerar para empresas fantasmas de parentes e amigos. Tudo indica que o demitido ministro era uma “rainha de Inglaterra”, sem poder real para desmantelar um esquema do...

Está ficando cada vez pior

Na madrugada do sábado 9 de julho, o engenheiro Marcelo Malvio de Lima (36) bateu com seu Porsche no Hyundai Tucson da advogada Carolina Santos (28), que teve morte instantânea. Isto ocorreu no cruzamento das ruas Bandeira Paulista e Joaquim Floriano, no Itaim Bibi. Segundo a polícia, no momento do impacto Marcelo Lima ia a pelo menos a 150 km/h e estava alcoolizado. Aproveitando a madrugada, Carolina deve ter avançado o farol vermelho. Em depoimento à jornalista da Folha, Marcelo Lima assume o papel de vítima e alega estar no momento da colisão “pouco acima dos 60 km/h”. Quem vê as fotos custa a acreditar. O Tucson foi arremessado contra poste e muro, ficando irreconhecível. O Porsche também foi totalmente destruído, mas o causador da tragédia, que não teve ferimentos, salvou-se. Sua mãe alegou estar sofrendo “tanto quanto a mãe da vítima” e que “reza pela família”. Na madrugada do sábado 23 de julho, a nutricionista Gabriela Pereira (28) dirigia seu Land Rover na rua Natingui, na V...

She won’t go

Como numa triste rotina, Amy Winehouse morreu este sábado em Londres, aos 27 anos, provavelmente de overdose. É a mais recente estrela do pop-rock a morrer, empenhada como parecía em confirmar a frase de Cazuza. Sua morte foi a tragédia mais anunciada dos últimos tempos, seguida em tempo real pelos meios de todo o mundo. Em macabra coincidência, Amy morreu com a mesma idade que outros ídolos do gênero como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, e Kurt Cobain. O talento de Amy Winehouse era inegável, tendo resgatado em suas composições o som dos anos 60 e 70. Não obstante, grande era também sua capacidade de autodestruição. Nos últimos tempos vinha dando vexames em seus últimos shows, quando seu péssimo estado físico e mental não lhe permitia lembrar as letras nem terminar as músicas. Repassando seus clipes e letras, não é exagerado dizer que Amy Winehouse constituía uma preocupante imagem dos nossos tempos, em que boa parte de nós, habitantes de um planeta com quase 7 bilhões de...

Não ao “Carreçúcar” (por enquanto)

Esta semana o BNDES anunciou que estava desistindo de pôr dinheiro na fusão do Pão de Açúcar – Carrefour. A decisão parece ser definitiva. Será? Seja como for, o contribuinte precisa se manter em alerta, porque, como foi anunciada, a desistência se deve aos motivos errados. Vale lembrar que quando o esquema foi publicado, a opinião pública se manifestou majoritariamente contra o uso de dinheiro público em um negócio essencialmente privado. Na ocasião, pelo menos dois ministros, Gleisi Hoffmann e Fernando Pimentel, defenderam publicamente o que qualificaram de “um excelente negócio para o BNDES”. Entre os principais argumentos, que seria criado um “campeão nacional”, e que a nova empresa seria um canal para colocar produtos brasileiros na Europa. Argumentos falsos. Primeiro, porque na pretendida fusão o Pão de Açúcar seria minoritário na nova empresa. Segundo, porque se fosse verdade que uma cadeia de supermercados é o que se necessita para vender produtos em outros países, Carrefour ...

Não ao uso de recursos públicos no "Itaquerão"

A Prefeitura e a Câmara dos Vereadores de São Paulo estão cometendo mais um assalto aos cofres públicos: R$ 420 milhões estão sendo destinados à construtora Odebrecht e ao clube Corinthians para a construção do chamado "Itaquerão". Como em outros casos, a desculpa é que a cidade precisa ter um estádio ao gosto da FIFA para sediar a abertura da Copa 2014. Na verdade, a cidade já tem diversos estádios - Pacaembu, Morumbí, Palestra Itália, Canindé, etc. - que poderiam ser reformados, a um custo inferior, com a mesma finalidade. Assim, mais recursos poderiam ser aplicados na melhoria da lamentável infra-estrutura de transporte público que a cidade padece. É preciso ver que esses recursos não estão indo para a construção de um complexo desportivo que possa ser utilizado pelo conjunto da população. Ao contrário, a PMSP e os vereadores festivamente repassam uma grande soma de dinheiro público, na forma de incentivos fiscais, com fins t...

De como o PT privatizou o governo

O Brasil é mesmo singular. Durante mais de duas décadas O PT na oposição não hesitou em criticar toda iniciativa dos governos de turno, aqui incluídos dois personagens lamentáveis da política brasileira como são os ex-presidentes Sarney e Collor, hoje seus leais aliados. A vida dá voltas, e um dia o PT teria a chance de fazer diferente. Chegado o momento, o que o PT faz? Tudo ao contrário do que declamava: aparelha o governo, incha a máquina do Estado Brasileiro como “nunca antes nesse país” , e usa os recursos públicos em benefício... próprio e de seus “aliados”. A mais recente negociata promovida pela administração petista do BNDES: R$ 4 bilhões (aprox. 7.400.000 salários mínimos) em recursos públicos serão dados ao Grupo Pão de Açúcar para que este possa comprar uma participação de 11% no grupo francês Carrefour .  Deve ser difícil explicar qual seria o interesse público em concentrar ainda mais o já altamente concentrado setor de supermercados brasileiro, que há anos v...

Nosso escândalo novo de cada dia

Há décadas vivemos de escândalos que sucedem uns a outros em ritmo alucinante . O caso de corrupção de hoje nos fará esquecer  rapidamente   o de ontem, e assim sucessivamente. Não é diferente com o atual affaire Antônio Palocci . Teve a virtude de nos lembrar de suas andanças pela casa de tolerância de Brasília, onde tratava de negócios por fora enquanto era ministro da Fazenda de Lula, e sua ordem para que fosse quebrado o sigilo bancário do caseiro Francenildo , que o denunciou. O caso Palocci teve o efeito de fazer todo mundo esquecer da votação do "código do desmatamento" comandada pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB), e considerada pelo próprio líder do governo na Câmara "uma vergonha para a presidente Dilma" . Até um dos maiores plantadores de soja do Brasil, o ex-governador do MT e atual senador Blairo Maggi , membro da bancada ruralista, considera as modificações votadas na Câmara "uma anistia a desmatadores" . O código proposto por Aldo Rebelo...

150 dias

Ou até menos. Foi o que durou a aparência da presidente Dilma como comandante do país. Acabou quando, nos últimos dias de maio, seu mentor e antecessor desembarcou em Brasília para comandar a "operação abafa" do mais recente escândalo petista, mais uma vez envolvendo o ministro Antônio Palocci . Já durante a campanha, a candidata Dilma demonstrava ser incapaz de articular dois pensamentos numa mesma frase . Mesmo assim, uma vez eleita muitos alimentaram a esperança de que, com seu estilo sério, e uma abordagem - só aparentemente - mais técnica e menos política das questões do governo, pudesse começar a endireitar algo do muito que está errado no governo petista. De fato, nas semanas anteriores a este novo caso de corrupção, a presidente Dilma aparentava tentar pôr um freio no festival de nomeações políticas em órgãos e empresas estatais organizado pelos integrantes da base alugada. A ilusão durou pouco . Quando Lula foi à reunião com senadores na casa de Sarney em Bras...

Horror de sexta-feira 13

Hoje, na CBN, uma interessante discussão originada pelo fato de o Ministério da Educação (MEC) ter lançado recentemente um livro com o sugestivo nome de "Por uma vida melhor", no qual são convalidadas expressões erradas do falar popular como, por exemplo, "nóis pega o peixe". O livro já estaria sendo distribuído às escolas do país. Com a polêmica naturalmente gerada, a explicação do MEC é que a inclusão deste tipo de expressões visa combater a discriminação que muita gente sofre por não saber falar corretamente. Num país com as dificuldades e os desafios do Brasil é de se esperar que milhares, talvez milhões de brasileiros não saibam conjugar corretamente os verbos. Contudo, o fato de a maioria em seu bairro/cidade/estado falar errado não torna esse jeito de falar correto. E ninguém vai "viver melhor" por falar errado. Ao contrário, a língua faz parte dos bens fundamentais da cidadania. Falar errado significa degradação. Em lugar de validar esse jeito de ...

Ilegal versus ilícito

Tempo atrás, num filme americano, um dos personagens, um juiz veterano, cansado de ver advogados espertos livrarem a cara de criminosos com base em tecnicalidades, diz a seguinte frase: "Alguém pegou a Justiça e a escondeu na Lei". É este o motivo de tanta gente ter ficado desapontada com o voto de desempate do Min. Luiz Fux na questão “Ficha Limpa”. Sem dúvida, seu "voto de Minerva" significa um duro golpe para a causa da luta contra a corrupção nefte paíf . Graças a ele, voltam para o Senado, a Câmara e outros cargos pelo Brasil afora diversos velhos corruptos da política brasileira – alguns com causas correndo há décadas na justiça – que continuarão cometendo ilícitos protegidos por essa vergonha chamada “foro privilegiado”. Analistas consideram que a chegada do Min. Luiz Fux ao STF veio a desfazer o impasse instalado desde a saída por aposentadoria do ministro Eros Grau. Ate então, o tribunal estaria dividido entre “técnicos”, oh coincidência, favoráveis ao go...

O PT e o Banco Panamericano

Quinta-feira passada foi anunciada a saída de Maria Fernanda Coelho da presidência da Caixa Econômica Federal. O motivo teriam sido desavenças com Ricardo Palocci, atual ministro-chefe da Casa Civil, pela nomeação de apadrinhados políticos do PT nas diretorias da instituição (nada diferente ao que é prática comum do partido em ministérios, empresas públicas, etc.). Tudo muito folclórico – o PT já nos tem acostumados - não fosse a própria Maria Fernanda Coelho responsável pela compra, em Novembro de 2009, de 49% do capital votante do Banco Panamericano, que custou aos cofres públicos R$ 780 milhões. Na ocasião, nem a agora ex-presidente da CEF, nem seu vice-presidente de Finanças, Márcio Percival – que continua no cargo – lembraram de pedir a usual “due dilligence”, providência que é praxe de mercado, e que qualquer executivo da área financeira faz questão de tomar antes de autorizar a compra de ações de outra empresa. Como foi amplamente divulgado na época, em Setembro de 2010 o bili...

Lobão, outra vez

Mas não é o músico, não. É o ministro Edison Lobão, que por terceira vez desde que está à frente do Ministério das Minas e Energia precisou enfrentar uma roda de imprensa para explicar um apagão. Entre os governos Lula e Dilma, já são três os apagões que o ministro Lobão teve que "administrar" - com sua conhecida competência. Impecavelmente trajado, penteado e até maquiado, o ministro Edison Lobão apareceu ante as câmeras e, como das vezes anteriores, soltou suas pérolas: "O sistema brasileiro de distribuição de energia é simplesmente perfeito. Não há no mundo outro como o nosso." Se ele diz. . . Por enquanto o placar está assim: PT 3 x 1 PSDB. O governo do PT vai ganhando com folga do PSDB no quesito apagões, e de continuar assim vai acabar dando de goleada. Alguma vez alguém terá que explicar por quê um político como Edison Lobão ocupa uma pasta eminentemente técnica como o Ministério das Minas e Energia. O contribuinte, que paga a conta da incompetência, merec...

As aposentadorias ilegais

Para o cidadão comum, que vai preso por roubar um simples pote de margarina, é difícil entender por quê, se já foram declaradas inconstitucionais pelo STF, as aposentadorias vitalícias de ex-governadores de Estado não são imediamente cassadas, eliminadas, devolvidas, etc. Tampouco neste caso podemos esperar que a presidente Dilma use o peso do seu cargo para imponer um mínimo de moralidade. A desculpa de sempre é a tal "governabilidade". Lamentável. Enquanto um simples mortal deve se contentar com uma aposentadoria máxima de R$ 3.500,00 após 35 anos de serviço (e de contribuição), diversos estados brasileiros estão dando a seus ex-governadores aposentadorias vitalícias de entre R$ 10.000 e R$ 24.000 mesmo que tenham ocupado o cargo por uns poucos dias. Ao morrer, o benefício passa integralmente para a viúva e seus descendentes. É mole? Isto põe os ex-governadores no mesmo nível de toda uma casta de privilegiados que inclui promotores, procuradores, e juízes, os mesmos juíz...

O caso Cesare Battisti

É impressionante como o Brasil continua enrolando o governo italiano no caso Cesare Battisti. Segundo a legislação brasileira, a decisão final de extraditar ou não um cidadão acusado de crimes em outro país cabe ao presidente. No caso Battisti, a extradição não está sendo pedida por um país qualquer, mas pelo seu país de nascimento, a Itália. Ao derivar o assunto ao STF, o Lula não fez mais do que ganhar tempo enquanto dava ao caso um ar de falsa legalidade. Porém, a decisão de não extraditar ou não Battisti cabia, em última instância, a ele. Agora, a presidente Dilma Roussef acaba de tomar a decisão de manter a não extradição de Battisti, acusado de terrorismo e assassinato em seu próprio país. Considerando o passado da presidente, a extensão da proteção a Battisti já era de se esperar. Assim, o Brasil volta a confirmar sua condição de refúgio seguro para indivíduos que cometem sérios crimes em outros países. O Brasil já deu asilo a personagens sinistros como o assaltante inglês Ron...

Passaporte diplomático

É um escândalo, e que precisa ser investigado quanto antes, que filhos do Lula, e até seus netos, tenham recebido passaportes diplomáticos. Ninguém até agora explicou de que forma esses descendentes do ex-presidente representam o Brasil no exterior. A conclusão mais óbvia, então, é que a utilidade do passaporte seria em caso de ter que sair às pressas do Brasil se forem divulgados casos de enriquecimento ilícito durante o mandato do pai e avó. Já que não aconteceu durante o mandato do Lula com os muitos escândalos de corrupção que marcaram seu governo, é ingênuo esperar que a presidente Dilma use o prestígio do seu cargo para inibir esta prática vergonhosa. É certo que já foram divulgadas novas regras para a emissão desses documentos, mas é somente para o futuro. Nada indica, até agora, que os filhos e netos do Lula terão seus passaportes diplomáticos cancelados.