Com precisão cirúrgica, na madrugada de 03/01/2026 as forças especiais Delta Force dos EUA arrancaram Nicolás Maduro e esposa de sua residência em Caracas enquanto dormiam. Não há como não suspeitar de que a cúpula militar corrupta que protegia a Maduro tenha-lhe soltado a mão para não arriscar um confronto bélico com as forças do Tio Sam.
Salvando as distâncias, esta operação dos EUA foi na mesma data, 36 anos antes, e similar à captura do então ditador panamenho Manuel Noriega em 1990.
Alguns meios já falam em "mudança de regime" na Venezuela. Por enquanto, nada permite vislumbrar tal coisa: a vice-presidente Delcy Rodríguez continua em funções (não se sabe com que nível de poder), porque o real homem forte, Diosdado Cabello, já andou se deixando filmar em uniforme militar e falando em "resistência contra a agressão ianque".
Fato: o chavismo bolivariano não teria durado 26 anos (1/4 de século) se não estivesse firmemente apoiado nas baionetas dessa cúpula militar tão brutal e corrupta quanto os titulares do Executivo.
Se os EUA não impuserem uma verdadeira mudança, e se a captura de Maduro e sua mulher foi somente para forçar a verdadeira cúpula do poder a negociar e obter vantagens na exploração do petróleo – conforme Trump já anunciou – nada vai mudar de fato para o sofrido povo da Venezuela.
EUA não fez uma invasão clássica, como no Panamá, ou como Putin na Ucrânia, mas se limitou a extrair Maduro e sua mulher em uma operação tão rápida que apenas durou umas poucas horas. É possível que, para não arriscar uma condenação ainda mais enérgica do resto do mundo – como já vem acontecendo – com esta acabada demonstração de inteligência e força militar, os EUA estejam esperando que a vice-presidente Delcy Rodríguez, o homem forte Diosdado Cabello, e os chefes militares que lhes dão sustentação se rendam e/ou negociem alguma outra saída.
Fato: se a Venezuela chavista se transformou num narco-estado, não pode ter sido por obra exclusiva de Maduro. Toda uma organização (para)militar, logística e mafiosa é necessária. Por tanto, só tirar Maduro do poder, e deixar todo o aparato narco-militar como está de nada vai adiantar, pelo menos não para o povo venezuelano, embora possa ser muito conveniente para os interesses dos EUA.
Anão diplomático. É como muitos chamam o Molusco (embora ele se ache o rei da negociação). Ele é o presidente brasileiro que mais viajou pelo mundo, e também o que mais falou besteira e envergonhou os brasileiros. Quem assim o chama não se equivoca: desde Julho/2024 quando Maduro roubou a eleição presidencial aos olhos do mundo, o (des)condenado teve todas as chances de mostrar que tinha alguma influência para fazer o Maduro recuar. Fracassou miseravelmente, e foi inclusive insultado publicamente pelo ex-motorista de ônibus sucessor do golpista Hugo Chávez Frías.
Como sempre, o Teflon fez de conta que não era com ele e se calou, mas é fato que ninguém ajudou mais o Maduro do que o Nove Dedos, que inclusive forçou a barra ao convidar o ditador venezuelano para uma renião de cúpula do Mercosul, união aduaneira ao qual a Venezuela não pertence, e o recebeu com honras de Chefe de Estado. É desta época sua famosa frase a respeito do regime venezuelano: “Democracia é relativo”.
Diante dos fatos, o posicionamento mais correto para os governos da América Latina não é apenas "condenar a invasão" – que não houve – mas advogar por uma verdadeira mudança de regime na Venezuela para alívio de seu oprimido povo, algo que só os EUA, com seu poderio militar, podem fazer.

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