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Haddad, o zoneamento, e o negócio das construtoras



Na quarta-feira 28/01 um grupo de ativistas do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) realizou nova manifestação na Estrada M’Boi Imirim e Av. Guarapiranga. A intenção: pressionar o prefeito Fernando Haddad a mudar o zoneamento e construir moradias populares em áreas hoje de mananciais e preservação ambiental. A “Gazeta de Santo Amaro” informa que o grupo de 200 manifestantes agia em representação de uns 8.000 ocupantes do terreno denominado “Nova Palestina”, na região do Parque do Lago/Jardim Ângela. Esta área, densa e desordenadamente povoada, fica próxima ao Parque Estadual Guarapiranga, anos atrás demarcada como área de preservação ambiental pelo governo do Estado de São Paulo justamente para evitar a ocupação ilegal e desordenada que degrada outras áreas próximas às represas que abastecem São Paulo.

Esta não é a primeira vez que o MTST realiza uma manifestação na nossa região e a última se soma às pressões que o mesmo movimento vem fazendo sobre a prefeitura em outras regiões da Cidade de São Paulo, como o Jardim Anália Franco (Zona Leste), os Jardins, etc. Invariavelmente, essa organização ocupa terrenos localizados em áreas de mananciais ou demarcados como áreas verdes, algo de que a nossa cidade está cada vez mais carente.

Desde que assumiu, o prefeito Fernando Haddad está empenhado em mudar o zoneamento e transformar diversas ZERs em Zonas Mistas. Não é por acaso: trata-se de viabilizar o negócio de grandes construtoras que, uma vez mudado o zoneamento, poderão erguer prédios altíssimos agravando ainda mais a falta de mobilidade, abastecimento de água, energia, insegurança, etc. O prefeito Fernando Haddad continua assim políticas nefastas como a outorga onerosa de Paulo Maluf, o adensamento de Marta Suplicy, e as operações urbanas de Gilberto Kassab. Os resultados de tais políticas inconsequentes e perversas para a qualidade de vida podem ser vistos no Campo Belo, com os enormes prédios de apartamentos construídos nos últimos anos ao longo da Av. Roberto Marinho, que vive engarrafada.

Além do lucrativo negócio em parceria com as construtoras, o prefeito Haddad tem motivação política, conforme recentemente denunciado pelos moradores do Jardim Anália Franco (Tatuapé) na Folha Cotidiano: a pressão pela mudança do zoneamento e construção de moradias para o MTST se da, justamente, em bairros de classe média, em geral contrária ao populismo do partido do prefeito. A intenção fica muito óbvia: trazer para estas áreas milhares de novos moradores integrantes do MTST que, ao receberem terrenos e moradias da Prefeitura seriam, sem dúvida, votantes do partido que lhes deu tal beneficio.

Desde que cheguei a São Paulo, há 3 1/2 décadas, ouço falar do problema da ocupação irregular de áreas de mananciais, e do pouco verde da cidade. Por motivos políticos e financeiros, o prefeito Fernando Haddad está mais do que disposto a promover estas perniciosas mudanças. Com essa atitude irresponsável, corremos o risco muito real de agravar ainda mais os já sérios problemas que os moradores desta megalópole que é São Paulo já padecemos.

Está mais do que na hora de os moradores conscientes nos organizarmos e tomarmos uma atitude concreta.

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