Neste momento, Abril de 2016, há uma grande confusão em boa parte do eleitorado brasileiro, inclusive os que se manifestam nas redes sociais e, em teoria, estariam mais bem informados. Essa confusão pode ser constatada entre os muitos que recentemente passaram a se declarar de direita.
Houve um
tempo em que ser chamado de petista era quase um insulto. Petista era sinônimo
de esquerdista radical, grevista, desordeiro, etc. Antes de chegar ao poder, Lula
perdeu uma eleição para governador, e três para presidente – em todas as quais se
apresentou sem qualquer experiência administrativa prévia – além de um mandato como
deputado federal em que nada fez.
Não obstante, o PT e as ideias que publicamente
declama foram seduzindo a sociedade e acabaram levando o Lula à vitória na eleição
de 2002. Como se deu esse processo?
Naqueles dias, muita gente já se dizia de esquerda ou simpatizava com qualquer coisa que
incluísse os termos povo, trabalhador, inclusão social. O PT soube explorar
muito bem essa confusa noção na mente do eleitorado que parecia ter finalmente
abraçado ideias que, num trabalho de formiga, foram sendo inculcadas ao longo de
décadas por professores de esquerda que abundam nas escolas e universidades do País.
Gerações foram doutrinadas dessa forma.
Assim,
bastou uma dessas crises cíclicas e inevitáveis do capitalismo para que o eleitorado,
principalmente a classe média baixa – que até pouco antes tinha se esbaldado na
festa de consumo do Plano Real – passasse a acreditar no discurso do PT e votasse
em Lula em 2022.
A conjuntura internacional favorável ao PT começou a se desenhar no final
de 1994 com o “Tequila”, embora seus efeitos só começaram a ser sentidos no Brasil
a partir de 1999 em função da Crise Asiática (1997), e o Default Russo (1998). A crise internacional
recebeu um impulso ainda mais forte com o ataque ao World Trade Center (Nova York, 2001), e a crise da Convertibilidad argentina no final do mesmo ano.
A conjunção
de fatores foi benéfica ao PT e acabou inclinando a balança em seu favor na eleição
de 2002. O eleitor brasileiro, desencantado com o que via como política da direita,
deu seu voto ao Lula. Uma vez no governo, o PT não perdeu tempo: desde o início pôs
em prática seu projeto de poder perpétuo e assalto sistemático aos cofres públicos:
aparelhamento do governo, inchaço da máquina pública, avassalamento dos outros poderes
da República. O resultado foi corrupção como
nunca antes neste país, e figurões petistas e seus aliados ficando biliardários da noite para
o dia.
Dizem que
o eleitor só se importa com a corrupção quando a crise atinge seu próprio bolso, e é o que sempre acontece. Esquemas bilionários de corrupção não são compatíveis
com o crescimento e desenvolvimento de um país, nem com nada que pretenda promover
a inclusão social, a igualdade ou beneficiar a classe trabalhadora - chavões esquerdistas repetidos até o cansaço.
Com o previsível fim do boom das commodities,
e o ajuste para baixo do crescimento da China e da Índia, a herança maldita deixada
por Lula à sua inepta sucessora foi ficando cada vez mais evidente.
O objetivo
de ter Dilma na presidência é o de garantir a perpetuação do PT no poder. Segundo
esse projeto – agora seriamente ameaçado – depois dela viria novamente Lula, ou
alguma outra figura do núcleo petista. É possível que o petismo tenha imaginado que os anos
de vacas gordas durariam para sempre, e que o brasileiro poderia ser continuamente
distraído com PACs, Copa das Copas, Olimpíadas, etc.
O tiro
saiu pela culatra. Como diz o ditado, dinheiro não leva desaforo. Corrupção
e incompetência um dia cobram seu preço. É o que vemos hoje.
Agora que as bilionárias falcatruas petistas não param de ser reveladas,
muita gente, inclusive muitos que votaram no PT, passou a se declarar de direita.
Como o PT é visto como de esquerda, e tem em sua base partidos dessa tendência (PSOL, PCdoB, PCB, etc.), nos últimos tempos muita gente se passou para as antípodas de uma ideologia retrógrada que tanta dor e sofrimento provoca nos países que a adotam como política de Estado.
Como o PT é visto como de esquerda, e tem em sua base partidos dessa tendência (PSOL, PCdoB, PCB, etc.), nos últimos tempos muita gente se passou para as antípodas de uma ideologia retrógrada que tanta dor e sofrimento provoca nos países que a adotam como política de Estado.
O Brasil
parece estar amadurecendo politicamente, e a facilidade de comunicação
das redes sociais dá sua contribuição. É possível que este processo de reacomodação
do eleitorado no espectro político não tenha volta, pelo menos no curto prazo.
Desta vez a corrupção ultrapassou todos os limites.

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