Na quinta-feira passada, 21/02/2019, o prefeito Bruno Covas anunciou que um trecho de 900 metros do popular Minhocão será transformado em "parque suspenso". Trata-se de um velho projeto dos governos de esquerda - Luíza Erundina, Marta Suplicy, Fernando Haddad - que cada tanto São Paulo padece.
Se não me engano, essa ideia estapafúrdia começou com o governo da petista Marta Suplicy em 2001. Foi durante seu mandato que um exaltado vereador do PT chegou a propor "derrubar os muros da Chácara Flora".
O argumento por trás da proposta é que o projeto "valorizará a região", degradada por décadas de desinvestimento e as várias recessões que o Brasil sofreu. Aos poucos, empresas localizadas em lugares tradicionais da cidade como Praça da República, Av. São Luiz, Largo do Arouche, foram mudando para lugares mais presentáveis como as avenidas Paulista, Faria Lima, Berrini.
Eu consultei a Rede Nossa São Paulo e perguntei qual era sua posição a respeito. Me enviaram o seguinte artigo; https://noticias.r7.com/sao-paulo/parque-em-minhocao-deve-expulsar-moradores-de-baixa-renda-25022019
É falso o argumento de que "o parque valorizará a região". Ao contrário, vai tornar o trânsito dessa região em particular, e da cidade em geral, ainda mais caótico. Uma megalópole como São Paulo, com tamanho e população comparável a Los Angeles, Shanghai e Cidade do México, precisa de MAIS vias elevadas, e não de menos.
A PMSP sob o comando de Bruno Covas é uma prova constante de incompetência. Depois de mais de três meses, o viaduto Fepasa no trecho norte da Marginal Pinheiros, que caiu em 15/11/2018, ainda não foi devolvido à população afetando centenas de milhares de pessoas todos os dias.
A SMVA (Secretaria que Mata o Verde do Ambiente) não consegue cuidar das (poucas) praças existentes numa cidade como São Paulo. Convido qualquer um a ver o estado da pequena Praça Goiânia, tomada pelo matagal, aqui na Vila Anhanguera. Isto considerando que São Paulo tem um baixíssimo índice de verde por habitante se comparada com outras cidades do mundo, e inclusive do Brasil como Curitiba. Como poderia cuidar de um parque "suspenso" de 900 metros de extensão?
A única coisa capaz de valorizar a região das avenidas Amaral Gurgel, São João e Gral. Olímpio da Silveira, por cima das quais se estende o Minhocão, é uma desoneração / isenção de impostos que permita que empresas reformem os prédios antigos, alguns muito deteriorados, ao longo dessas vias, e os tornem habitáveis.
Há muitos anos existe tecnologia para tanto. Quem anda, por exemplo, por Londres ou Nova York, pode ver prédios antigos sendo constantemente reformados, com sua fachada preservada, e o interior totalmente modernizado.
Foi justamente comprando prédios antigos em Nova York, e transformando-os em imóveis comerciais e/ou residenciais de alto padrão, que o atual presidente, Donald Trump, amassou sua fortuna hoje calculada em mais de US$ 3 bilhões.
Pela forma em que o projeto foi anunciado pelo prefeito Bruno Covas, de sopetão e sem consulta prévia à população, tem tudo para ser uma obra imposta à cidade sem se importar com as graves consequências para a mobilidade urbana.

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