Pular para o conteúdo principal

"Não consigo fazer nada", mais uma inacreditável frase de Bolsonaro

"Brazil is, and will always be, the country of the future."

- Eng. Jake Bauer

Sergio Motta, quem fora ministro das Comunicações de FHC, costumava dizer que certas coisas só podem ser ditas "Nu, na sauna, e com a chave do cofre na mão". Eram tempos anteriores aos celulares e smartphones. Hoje tudo que a gente diz pode ser, e de fato é, gravado e instantaneamente publicado.

O presidente Bolsonaro já nos tem acostumados. Ele sai do Alvorada, do Planalto ou de alguma reunião e fala publicamente frases que, na maioria dos casos, se é que de fato precisam ser ditas, deveriam ser somente em roda de amigos íntimos e, mesmo assim, com muito cuidado.

Eis que hoje o presidente voltou a surpreender a todos nós - e gerar uma enxurrada de críticas nas redes sociais - com a pouco feliz frase: "O Brasil está quebrado. Não consigo fazer nada". Convenhamos: nenhum chefe do executivo de um país importante, como é o Brasil, admitiria isso publicamente, mesmo que a frase fosse rigorosamente verdade.


A opinião pública e o jornalismo ainda não tiveram tempo de reagir e, com certeza as críticas virão nos próximos dias, mas essa simples frase demonstra que o PR écomo em geral os militares são, um partidário do estatismo que não acredita no livre mercado, e que sua defesa da livre iniciativa foi apenas um slogan de campanha para ganhar as eleições.

Se o PR admite que não pode fazer nada porque o país está quebrado, significa que só imagina poder fazer alguma coisa com dinheiro público que lhe falta, uma visão típica de governantes populistas, e como o governo tem déficit, ele simplesmente admite e se resigna a não poder fazer nada.

Déficit significa que a máquina estatal - não apenas o Poder Executivo - gasta mais do que arrecada. Ou seja, os trilhões em impostos que os contribuintes pagam não são suficientes e, para cobrir o rombo, o Estado brasileiro precisa emitir moeda, se endividar, e deixar de prestar serviços de que a população precisa: saúde, educação, segurança, justiça.

É por isso que o Brasil se atrasa há mais de 30 anos. É fato que este País, com todo seu enorme potencial, há décadas cresce abaixo da média mundial, e por isso não realiza o brilhante futuro que uma vez lhe foi diagnosticado.

E o Brasil não cresce e se desenvolve por culpa do enorme peso que 27 estados e mais de 5.500 municípios significam para as contas públicas. A grande maioria deles são deficitários, ou seja, consome mais recursos do que são capazes de produzir. A diferença entre os impostos que geram e os recursos que demandam para manter a máquina pública precisa ser coberta por impostos que são tirados dos 2 ou 3 únicos estados superavitários, sendo São Paulo o principal deles.

Os dados nus e crus desta verdadeira lambança que a classe política faz com o dinheiro público (atualizados até 2017) estão no livro "Guia Politicamente Incorreto da Política Brasileira", de Rodrigo da Silva. Recomendo a todos sua leitura.

O Brasil tem jeito, sim, mas para mudar o que está errado é preciso uma alta dose de vontade política. Que um candidato com discurso "diferente", como Bolsonaro, ganhe a eleição não é garantia de que as mudanças necessárias vão acontecer.

É preciso muito trabalho e, sobretudo, capacidade de liderança, dois ingredientes que, infelizmente, estão em falta na lista de atributos do PR.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tiradentes y Papa Francisco a un año de su muerte

  Hoy 21 de abril es feriado nacional de Tiradentes en Brasil. Joaquim José da Silva Xavier (1746–1792) fue un militar, dentista – por eso el mote de Tiradentes – y activista político minero (del estado brasileño de Minas Gerais), principal líder del movimiento que pasó a la historia de Brasil como Inconfidencia Mineira . Tres décadas antes de que fuera proclamada por Pedro I en 1822 , Tiradentes fue un adelantado de la lucha por la independencia de Brasil y contra la explotación de las riquezas de su patria por la metrópolis portuguesa. Tiradentes lideró el movimiento separatista que buscaba libertar el actual estado de Minas Gerais (en aquel entonces Minas d’Ouro) del dominio portugués y establecer una república. La Proclamación de la República , como se la conoce hoy día, sólo sucedería mediante el golpe militar al monarca Pedro II por parte del Mariscal Deodoro da Fonseca , el 15 de noviembre de 1899 . Tal cual Jesucristo, Tiradentes fue traicionado por integrantes del m...

A queda de Maduro e o futuro da Venezuela

  Com precisão cirúrgica, na madrugada de 03/01/2026 as forças especiais   Delta Force  dos EUA arrancaram Nicolás Maduro e esposa de sua residência em Caracas enquanto dormiam. Não há como não suspeitar de que a cúpula militar corrupta que protegia a Maduro tenha-lhe soltado a mão para não arriscar um confronto bélico com as forças do Tio Sam.  Salvando as distâncias, esta operação  dos EUA foi na mesma data, 36 anos antes, e similar à captura do então ditador panamenho Manuel Noriega em 1990. Alguns meios já falam em "mudança de regime" na Venezuela. Por enquanto, nada permite vislumbrar tal coisa: a vice-presidente Delcy Rodríguez continua em funções (não se sabe com que nível de poder), porque o real homem forte, Diosdado Cabello , já andou se deixando filmar em uniforme militar e falando em "resistência contra a agressão ianque". Fato: o chavismo bolivariano não teria durado 26 anos (1/4 de século) se não estivesse firmemente apoiado nas baionetas d...

The return of the madman

  Tremendo o vídeo do encontro do presidente Trump , o vice-presidente J.D. Vance , e o Volodymyr Zelensky na Casa Branca. Não se tem notícias de outro caso na história em que um chefe de estado tenha sido tão mal tratado e mandado calar a boca como fizeram com o presidente ucraniano. Zelensky se viu sozinho contra os dois titulares do Executivo que lhe deram uma reprimenda em uma língua que não é a sua, e não o deixaram falar . Contra a postura beligerante de Trump , Vance se mostrava com um sorriso irônico como dizendo, "Nada do que você falar aqui vai fazer diferença" . E certo momento, Zelensky pergunta ao Trump , "May I answer?"   Trump lhe responde que não, que ele não tem as cartas para jogar, e "You're disrespecting the country. This country" . Em momento algum Zelensky disse nada que possa ser interpretado como falta de respeito, nem ao presidente Trump , e nem ao povo americano. Aliás, Zelensky não conseguiu falar. Foi uma autêntica cil...