"Brazil is, and will always be, the country of the future."
Sergio Motta, quem fora ministro das Comunicações de FHC, costumava dizer que certas coisas só podem ser ditas "Nu, na sauna, e com a chave do cofre na mão". Eram tempos anteriores aos celulares e smartphones. Hoje tudo que a gente diz pode ser, e de fato é, gravado e instantaneamente publicado.
O presidente Bolsonaro já nos tem acostumados. Ele sai do Alvorada, do Planalto ou de alguma reunião e fala publicamente frases que, na maioria dos casos, se é que de fato precisam ser ditas, deveriam ser somente em roda de amigos íntimos e, mesmo assim, com muito cuidado.
Eis que hoje o presidente voltou a surpreender a todos nós - e gerar uma enxurrada de críticas nas redes sociais - com a pouco feliz frase: "O Brasil está quebrado. Não consigo fazer nada". Convenhamos: nenhum chefe do executivo de um país importante, como é o Brasil, admitiria isso publicamente, mesmo que a frase fosse rigorosamente verdade.
Se o PR admite que não pode fazer nada porque o país está quebrado, significa que só imagina poder fazer alguma coisa com dinheiro público que lhe falta, uma visão típica de governantes populistas, e como o governo tem déficit, ele simplesmente admite e se resigna a não poder fazer nada.
Déficit significa que a máquina estatal - não apenas o Poder Executivo - gasta mais do que arrecada. Ou seja, os trilhões em impostos que os contribuintes pagam não são suficientes e, para cobrir o rombo, o Estado brasileiro precisa emitir moeda, se endividar, e deixar de prestar serviços de que a população precisa: saúde, educação, segurança, justiça.
É por isso que o Brasil se atrasa há mais de 30 anos. É fato que este País, com todo seu enorme potencial, há décadas cresce abaixo da média mundial, e por isso não realiza o brilhante futuro que uma vez lhe foi diagnosticado.
E o Brasil não cresce e se desenvolve por culpa do enorme peso que 27 estados e mais de 5.500 municípios significam para as contas públicas. A grande maioria deles são deficitários, ou seja, consome mais recursos do que são capazes de produzir. A diferença entre os impostos que geram e os recursos que demandam para manter a máquina pública precisa ser coberta por impostos que são tirados dos 2 ou 3 únicos estados superavitários, sendo São Paulo o principal deles.
Os dados nus e crus desta verdadeira lambança que a classe política faz com o dinheiro público (atualizados até 2017) estão no livro "Guia Politicamente Incorreto da Política Brasileira", de Rodrigo da Silva. Recomendo a todos sua leitura.
O Brasil tem jeito, sim, mas para mudar o que está errado é preciso uma alta dose de vontade política. Que um candidato com discurso "diferente", como Bolsonaro, ganhe a eleição não é garantia de que as mudanças necessárias vão acontecer.
É preciso muito trabalho e, sobretudo, capacidade de liderança, dois ingredientes que, infelizmente, estão em falta na lista de atributos do PR.
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