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O “Efeito Orloff”, mais uma vez

 


Nos anos 1980 uma marca de vodca produziu um recordado comercial de TV com o bordão “Eu sou você, amanhã” que acabou virando um clássico publicitário, além de metáfora de como, na política e na economia, o que acontecia na Argentina acabava se reproduzindo tempo depois no Brasil. Nas últimas três décadas a profecia se cumpriu várias vezes. Aquele recordado comercial de TV pode ser revisitado aqui.

Cantei essa bola tempos atrás: a torpeza de Bolsonaro acabaria por nos trazer o PT de volta. Para mostrar que, quase quatro décadas depois, o “Efeito Orloff” continua vigente, em 2019 na Argentina, Macri cometeu erro similar: durante seu bem-intencionado, mas fracassado governo, não se empenhou para que os muitos crimes da quadrilha kirchnerista fossem punidos.

De forma inocente, Macri acreditou que, apesar de seu desastroso manejo da economia, bastava com "el cuco" de Cristina Kirchner para se reeleger. Acabou derrotado no 1ro turno.

Em Nov/2018, o recém-eleito Bolsonaro pronunciou uma frase que foi repetida ad nauseam e acabou sendo profética: “Se eu errar, o PT volta”. Sem dar atenção para o fracasso de Macri na vizinha Argentina, e rodeado de áulicos entre os quais muitos ex-petistas, Bolsonaro acreditou na sua fácil reeleição. 

Durante seu mandato Bolsonaro não cansou de falar e fazer besteira. Na sua mente simplória de sujeito torpe, inepto, despreparado, boquirroto e desonesto, que viveu a vida toda à custa do Estado, e cujo único projeto sempre foi manter a boquinha, Bolsonaro achou que a simples presença do bicho-papão Lula e o PT seria suficiente.

Como Macri na Argentina, que com seu errático governo tornou possível a volta ao poder da quadrilha narco-corrupto-mafiosa kirchnerista, no Brasil a onipresente estupidez de Bolsonaro e sua tropa acabou por selar a volta do lulo-petismo. Tivemos a confirmação hoje com o anúncio de um Lula vitorioso na eleição presidencial. Fato irrefutável: muitos dos que votaram em Bolsonaro em 2018 deixaram de fazê-lo em 2022.

Advertí sobre isto muitas vezes nos últimos 4 anos: que em um país importante como o Brasil, o estilo mal-educado, grosseiro, brucutu, boçal de Bolsonaro não era jeito de se exercer o mais alto cargo da República. 

Enquanto isso, sua troupe andava ocupada praticando corrupção, inclusive em ministérios-chave como o da Saúde - como a felizmente frustrada compra da Covaxin, se aproveitando da pandemia - e o da Educação, onde pilantras terrivelmente evangélicos meteram a mão à vontade nos bilhões do FNDE.

A cada imbecilidade de Bolsonaro - e foram muitas - seus seguidores vivavam e alegavam que ele era autêntico, que já estava reeleito, e que ia ser no 1ro turno.

Hordas de desmiolados foram à Brasília pedir o fechamento dos Poderes Legislativo e Judiciário, a edição de um novo AI-5, e a implantação de um regime militar com Bolsonaro no comando. 

Justo ele que foi expulso do Exército Brasileiro por conspirar para plantar bombas nas suas dependências. A maioria dos que pediram a volta ao passado têm menos de 50 anos. Portanto, só ficaram sabendo do AI-5 de 13/Dez/1968 pelos meios de comunicação.

Durante seu mandato, Bolsonaro se dedicou a falar publicamente quanta besteira lhe deu na telha, como chamar brasileiros de maricas, mandar pedir vacinas na casa da mãe, enfiar o leite condensado no cu, falar dos mortos por covid-19 "E dai? Não sou coveiro!"

Nas suas insofríveis laivis Bolsonaro debochava de quem tinha contraído covid e sofria de falta de ar – para mencionar só algumas das tristes cenas que esse sujeito protagonizou e fomos obrigados a padecer.

Bolsonaro transformou o Dia da Independência de 2021, a mais importante das festas pátrias do Brasil, em comício político que aproveitou para insultar ministros do STF de "FDP".

Em 07/09/2022 repetiu a dose: em novo comício puxou o coro e fez a multidão imbecilizada repetir imbroxável. Nenhum presidente antes dele tinha exercido o cargo com tanta falta de respeito pela investidura.

Nas redes, fanáticos alucinados mostravam uma e outra vez sua incapacidade para enxergar a realidade. Repetiam com seu líder "não há corrupção no governo". Quando as evidências começaram a se avolumar, tal qual os lulistas, passaram a usar o bordão "Não há provas". E, quando as provas, implacáveis, começaram a aparecer, mudaram para "Ninguém foi condenado"

Negacionismo puro, preferiram ignorar que o ídolo, através de seus indicados na PGR, PF, etc. barrava sistematicamente todas as iniciativas de investigação. O bolso-vírus que se espalhava desde Brasília infectou mentes e corações.

Durante um tempo tentaram passar a ideia de que Bolsonaro era honesto, cristão, conservador, etc. Quando ficou evidente que não era nem uma coisa nem a outra, o discurso deu um giro, e começaram a admitir que, pelo menos, Bolsonaro não seria tão ruim quanto Lula porque defendia a liberdade, família, valores conservadores, etc.

A verdade é bem outra: Bolsonaro e Lula são duas desgraças, duas escolhas muito ruins para um país como o Brasil que precisa crescer e se desenvolver com inteligencia, em paz, e em harmonia.

Via de regra, segundos mandatos costumam ser piores que os primeiros. Seja qualquer um dos dois que ganhe a eleição, o esquerda-retrógrada ou o direita-burra, os cidadãos de bem devemos entender que a oposição a um governo ruim precisa começar desde o primeiro dia.

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