Este artigo começou a ser escrito há quase 1 ano, em Fev/2024, com o título “Um cara de sorte”. Foi o que se desprende de suas duas anteriores presidências (2003-2010), quando todas as crises que, desde meados dos anos 1990, afetaram o governo FHC (1995-2002), a saber, Efeito Tequila (1994), Crise Asiática (1997), Default da Rússia (1998), e que levaram à desvalorização de todas as moedas do mundo, e do real em 1999, desapareceram como num passe de mágica ver aqui
Em 2004, o sujeito em questão foi tocado pela varinha da sorte: como resultado dos US$ bi/trilhões emitidos por EUA para sustentar a guerra em duas frentes, Afeganistão e Iraque, depois dos atentados às Torres Gêmeas e ao Pentágono (2001), a alta liquidez internacional, e a voracidade por matérias primas das novas potências industriais, China e Índia, o mundo presenciou um boom de commodities, com os preços do petróleo, gás, minério de ferro, soja etc. subindo a alturas estratosféricas.
Então, o BC comandado pelo Henrique Meirelles aproveitou a alta liquidez para seduzir o mundo com uma Selic nas alturas: muitos US$ bilhões aqui vieram para aproveitar os altos juros brasileiros e criaram a miragem de se chegar ao primeiro mundo sem esforço.
Nos últimos meses de 2010 o dólar chegou a cair até R$ 1,50.- Com uma taxa de câmbio tão apreciada, e por tão longo período, o Brasil perdeu mercados de exportação, e foi invadido por importações.
Porém, a imagem que ficou foi a de brasileiros de classe média tomando por assalto navios de cruzeiro, e voando aos principais resorts internacionais; as ruas se encheram de carros importados, e os lares de bugigangas Made in China.
Em 2023, a sorte lhe sorriu de novo: graças à boa administração anterior, que enfrentou com sucesso a pandemia de covid-19 (2020-2021), com o desarranjo da economia mundial, e a invasão da Ucrânia pela Rússia (2022) que disparou os preços internacionais do petróleo e o gás, tal qual o resto do mundo, o Brasil entrou em franca recuperação pós-pandemia.
Ele não precisou fazer nada, nem tomar uma única medida de fomento à economia para, mais uma vez, surfar a onda da bonança econômica para a qual em nada contribuiu.
Foi a consequência anunciada de um governo que gasta muito acima do que tira da sociedade, mesmo com recorde de arrecadação, tem déficits sucessivos e crescentes nas contas, déficit público explosivo de 9,5%-10%, e uma dívida pública que ultrapassa os R$ 9 TRILHÕES. E o pior: ninguém sabe para onde vai essa enorme montanha de dinheiro público.
O panorama futuro não é melhor: o mercado projeta uma Selic de 14,40% para Dez/2025, e de 16%-17% para 2026. Estima-se que a relação dívida PIB, atualmente a 78%, cresça até 83% no final de 2025, e entre 5% e 6% a.a. a partir dali.
Dívida maior significa pagamentos de juros cada vez mais altos.
Para mudar tal perspectiva precisaria haver o que os analistas chamam de “cavalo-de-pau”, ou seja, uma total reversão do rumo da economia, algo impossível para um governo que acredita que “gasto é vida”, e que não tem compromisso com a responsabilidade fiscal, menos ainda em 2026, ano eleitoral.
Com a continuação da gastança sem freio, as condições macroeconômicas do País vão continuar a se deteriorar.

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