Entre Brasil e Argentina tem um novo conflito comercial que já se arrasta há algumas semanas. Segundo a imprensa a ambos os lados da fronteira, empresas brasileiras de alimentos processados, como Brasfrigo (conservas de carne), Oderich (enlatados), etc., denunciaram que seus clientes argentinos têm cancelado até 90% dos pedidos. O motivo seria pressões telefônicas emanadas da Secretaria de Comércio Interno para cancelarem as importações de produtos brasileiros que rivalizem com similares argentinos. As pressões, ordenadas pelo secretário Guillermo Moreno, viriam acompanhadas de ameaças veladas de devassa minuciosa por parte das autoridades fiscais e tributárias.
Os ministros argentinos Randazzo (Interior) e Giorgi (Produção), por um lado, saíram a desmentir que houvesse uma ordem oficial nesse sentido. Por outro, reconhecem que farão tudo que for possível para “defender a produção, os empregos, e os preços nas gôndolas dos supermercados”. De fato, não há, como em outras épocas, caminhões parados na fronteira aguardando as “licenças não automáticas”, embora haja centenas de caminhões parados nos dois países aguardando que os importadores argentinos se decidam a receber as cargas já contratadas.
O conflito comercial entre Argentina y Brasil não é novo e este é apenas mais um episódio de uma longa novela. Deriva de que se trata de economias concorrentes. Salvo exceções, os dois países produzem mais ou menos os mesmos produtos. Um pode ser mais forte en um rubro e menos em outro, mas ambos os países competem de fato pelos mesmos mercados. Trata-se de uma situação muito natural que as autoridades dos dois países precisam saber administrar.
O que não é natural é que Argentina, que teria um câmbio supostamente competitivo, tenha que levantar barreiras não tarifárias e extra-oficiales contra produtos vindos de sócios comerciais como China, Brasil e Espanha – os casos mais atuais. Se o câmbio é competitivo, deveria dar às empresas produtoras nacionais condições de se contrapor à concorrência dos produtos estrangeiros.
Tampouco é natural que uma secretaria de governo adote ameaças telefônicas para empresas importadoras cancelarem pedidos já encomendados. Deve haver formas melhores de administrar a balança comercial. A dedução a que chegamos é que o propalado câmbio competitivo não é tal. Se fosse, Argentina não teria este tipo de conflitos comerciais com Brasil, país cuja moeda mais se valorizou frente ao dólar em todo o mundo nos últimos anos.
Ao contrário, se o cãmbio fosse competitivo Argentina deveria inundar com seus produtos o mercado interno brasileiro, coisa que não ocorre há anos. O câmbio argentino não é competitivo; é alto, sim, mas como produto da emissão de dinheiro, a desvalorização da moeda nacional, as práticas mafiosas, e o desincentivo à produção nacional.
O estilo "cosa nostra" do governo argentino é francamente contraproducente para a balança comercial. Melhor do que pôr barreiras às importações do Brasil, muito mais benéfico seria negociar para abrir mais o mercado brasileño, ainda mais em épocas em que a excessiva valorização do real gera uma situação francamente favorável para Argentina.
Em resumo, se trata de um exemplo claro e atual de que o câmbio competitivo de que tanto falam não passa de uma fantasia. O que precisa ser competitivo não é o câmbio, mas a economia argentina. Se o fosse, o aperto das empresas à Don Corleone não seriam necessários.
Os ministros argentinos Randazzo (Interior) e Giorgi (Produção), por um lado, saíram a desmentir que houvesse uma ordem oficial nesse sentido. Por outro, reconhecem que farão tudo que for possível para “defender a produção, os empregos, e os preços nas gôndolas dos supermercados”. De fato, não há, como em outras épocas, caminhões parados na fronteira aguardando as “licenças não automáticas”, embora haja centenas de caminhões parados nos dois países aguardando que os importadores argentinos se decidam a receber as cargas já contratadas.
O conflito comercial entre Argentina y Brasil não é novo e este é apenas mais um episódio de uma longa novela. Deriva de que se trata de economias concorrentes. Salvo exceções, os dois países produzem mais ou menos os mesmos produtos. Um pode ser mais forte en um rubro e menos em outro, mas ambos os países competem de fato pelos mesmos mercados. Trata-se de uma situação muito natural que as autoridades dos dois países precisam saber administrar.
O que não é natural é que Argentina, que teria um câmbio supostamente competitivo, tenha que levantar barreiras não tarifárias e extra-oficiales contra produtos vindos de sócios comerciais como China, Brasil e Espanha – os casos mais atuais. Se o câmbio é competitivo, deveria dar às empresas produtoras nacionais condições de se contrapor à concorrência dos produtos estrangeiros.
Tampouco é natural que uma secretaria de governo adote ameaças telefônicas para empresas importadoras cancelarem pedidos já encomendados. Deve haver formas melhores de administrar a balança comercial. A dedução a que chegamos é que o propalado câmbio competitivo não é tal. Se fosse, Argentina não teria este tipo de conflitos comerciais com Brasil, país cuja moeda mais se valorizou frente ao dólar em todo o mundo nos últimos anos.
Ao contrário, se o cãmbio fosse competitivo Argentina deveria inundar com seus produtos o mercado interno brasileiro, coisa que não ocorre há anos. O câmbio argentino não é competitivo; é alto, sim, mas como produto da emissão de dinheiro, a desvalorização da moeda nacional, as práticas mafiosas, e o desincentivo à produção nacional.
O estilo "cosa nostra" do governo argentino é francamente contraproducente para a balança comercial. Melhor do que pôr barreiras às importações do Brasil, muito mais benéfico seria negociar para abrir mais o mercado brasileño, ainda mais em épocas em que a excessiva valorização do real gera uma situação francamente favorável para Argentina.
Em resumo, se trata de um exemplo claro e atual de que o câmbio competitivo de que tanto falam não passa de uma fantasia. O que precisa ser competitivo não é o câmbio, mas a economia argentina. Se o fosse, o aperto das empresas à Don Corleone não seriam necessários.
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