Quinta-feira passada foi anunciada a saída de Maria Fernanda Coelho da presidência da Caixa Econômica Federal. O motivo teriam sido desavenças com Ricardo Palocci, atual ministro-chefe da Casa Civil, pela nomeação de apadrinhados políticos do PT nas diretorias da instituição (nada diferente ao que é prática comum do partido em ministérios, empresas públicas, etc.).
Tudo muito folclórico – o PT já nos tem acostumados - não fosse a própria Maria Fernanda Coelho responsável pela compra, em Novembro de 2009, de 49% do capital votante do Banco Panamericano, que custou aos cofres públicos R$ 780 milhões. Na ocasião, nem a agora ex-presidente da CEF, nem seu vice-presidente de Finanças, Márcio Percival – que continua no cargo – lembraram de pedir a usual “due dilligence”, providência que é praxe de mercado, e que qualquer executivo da área financeira faz questão de tomar antes de autorizar a compra de ações de outra empresa.
Como foi amplamente divulgado na época, em Setembro de 2010 o bilionário dono do SBT, Silvio Santos, então acionista majoritário do Panamericano, foi até Brasília e, em uma rápida conversinha com seu amigo o presidente Lula, arrancou R$ 2,2 bilhões que, claro, saíram do erário público, aqui formalmente chamado de “Fundo Garantidor de Crédito”. Com isso, o sorridente apresentador que distribui dinheiro na frente das câmeras salvou sua parte no banco e todos contentes.
Pouco dias depois da visita do simpático Silvio Santos, oh coincidência, descobriu-se que o Banco Panamericano estava há tempos falido, e que seus diretores, alguns da sua própria família, praticavam o que o mercado conhece como “creative accounting”, ou contabilidade criativa, mantendo em seu haver carteiras de crédito mesmo depois de terem sido vendidas para outros bancos.
A falta de respeito do PT com o dinheiro público seria cômica se não fosse trágica para os contribuintes brasileiros. O PT, que tanto criticou o PROER dos anos FHC, dilapida grandes quantias de dinheiro público - R$ 2,980 bilhões, até onde se sabe - exclusivamente ao sabor de suas próprias conveniências político-partidárias.
A cereja do bolo. A ex-presidente da CEF, Maria Fernanda Coelho, está de malas prontas: vai assumir importante cargo nada menos que no BID, o Banco Interamericano de Desenvolvimento. Cazuza estava errado: no Brasil, o crime compensa.
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