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Não ao “Carreçúcar” (por enquanto)

Esta semana o BNDES anunciou que estava desistindo de pôr dinheiro na fusão do Pão de Açúcar – Carrefour. A decisão parece ser definitiva. Será? Seja como for, o contribuinte precisa se manter em alerta, porque, como foi anunciada, a desistência se deve aos motivos errados.

Vale lembrar que quando o esquema foi publicado, a opinião pública se manifestou majoritariamente contra o uso de dinheiro público em um negócio essencialmente privado. Na ocasião, pelo menos dois ministros, Gleisi Hoffmann e Fernando Pimentel, defenderam publicamente o que qualificaram de “um excelente negócio para o BNDES”. Entre os principais argumentos, que seria criado um “campeão nacional”, e que a nova empresa seria um canal para colocar produtos brasileiros na Europa.

Argumentos falsos. Primeiro, porque na pretendida fusão o Pão de Açúcar seria minoritário na nova empresa. Segundo, porque se fosse verdade que uma cadeia de supermercados é o que se necessita para vender produtos em outros países, Carrefour e Wal-mart, que estão no Brasil há anos, teriam as gôndolas de suas lojas repletas de produtos, respectivamente, franceses e americanos, algo que não ocorre. A viabilização das exportações se dá por vias totalmente diferentes.

Agora, no anúncio da desistência oficial, o argumento usado é que o BNDES não entrará no negócio devido à falta de um acordo entre os acionistas, o Pão de Açúcar e seu sócio francês Casino. Este argumento é sumamente perigoso, tanto para o contribuinte, que com seus impostos forma o capital do BNDES, como para o consumidor, que há anos paga o alto preço da concentração no setor supermercadista brasileiro.

Perigoso porque bastaria esses dois grupos entrarem em algum tipo de acordo para botarem as mãos em R$ 4,5 bilhões de dinheiro público, dinheiro esse que estaria muito melhor empregado se aplicado na deficiente infra-estrutura do país: hospitais, escolas, segurança, transportes, etc.

Anunciada a desistência do BNDES, os grupos interessados em obter fundos públicos para concretizar este rentável negócio privado sem correr riscos já manifestaram que tentarão agora vender o Carrefour ao concorrente Wal-mart.

Alguns devem lembrar que em 2005, o Wal-mart comprou as lojas do Big (grupo Sonae), que por sua vez vinha comprando diversos outros supermercados menores (Candia, etc.). Ou seja, há no setor de supermercados um longo e crescente processo de concentração que é extremamente prejudicial ao consumidor, porque elimina a concorrência.

Portanto, o consumidor/contribuinte precisa ficar atento e rechaçar, não apenas o uso de dinheiro público em negócios eminentemente privados como este, mas também que com esses fundos o governo continue promovendo a já alta concentração do setor.

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