Como numa triste rotina, Amy Winehouse morreu este sábado em Londres, aos 27 anos, provavelmente de overdose. É a mais recente estrela do pop-rock a morrer, empenhada como parecía em confirmar a frase de Cazuza. Sua morte foi a tragédia mais anunciada dos últimos tempos, seguida em tempo real pelos meios de todo o mundo. Em macabra coincidência, Amy morreu com a mesma idade que outros ídolos do gênero como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, e Kurt Cobain.
O talento de Amy Winehouse era inegável, tendo resgatado em suas composições o som dos anos 60 e 70. Não obstante, grande era também sua capacidade de autodestruição. Nos últimos tempos vinha dando vexames em seus últimos shows, quando seu péssimo estado físico e mental não lhe permitia lembrar as letras nem terminar as músicas.
Repassando seus clipes e letras, não é exagerado dizer que Amy Winehouse constituía uma preocupante imagem dos nossos tempos, em que boa parte de nós, habitantes de um planeta com quase 7 bilhões de habitantes, somente se importa com si próprio. Amy tinha a atitude de quem não estava nem ai para ela mesma. Há tempos seus médicos vinham alertando que, se continuasse a beber, fumar e se drogar, seu organismo não resistiria. Não obstante, em um dos seus maiores sucessos, ela afirma “They wanna make me go to rehab. I said no, no, no”. Nem mesmo a perda de uma gravidez pareceu dissuadi-la de ter “uma garrafa por perto”.
O jovem organismo de Amy Winehouse, prematuramente deteriorado pelo consumo pesado de álcool, tabaco e drogas, não resistiu. A causa da morte ainda não foi determinada, mas segundo fontes não oficiais no dia anterior ela teria comprado cocaína e ecstasy. Sua mãe Janis, de sugestivo nome, declarou que nesse mesmo dia falou com ela e não a achou bem.
Milhões de jovens em todo o mundo levam, ou gostariam de levar, esse mesmo estilo de vida, displicente e irresponsável, da Amy Winehouse. Quando as drogas começam a fazer estrago, porém, reivindicam o direito de serem tratados como doentes. No processo, sofrem e fazem sofrer suas famílias, seus amigos, e por extensão toda a sociedade que, direta ou indiretamente, acaba sendo vítima de sua adição.
Doentes são aqueles acometidos por alguma doença que não buscaram. Outra categoria deveria ser criada para consumidores contumazes de drogas, incapazes de deixar o vício nem mesmo quando veem sua vida ir pelo ralo, como foi a de Amy Winehouse.

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