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Já jogou a toalha

No começo de julho houve no Ministério dos Transportes uma série de demissões que, além do ministro “não-sou-lixo”, arrastou poderosos funcionários de alta patente – a maioria de um partido de aluguel chamado PR – que manejavam grandes somas de dinheiro público a discrição e com inegável amor familiar.

A seguir, as denúncias no Ministério da Agricultura, desta vez deflagradas pelo clássico caso do parente que, excluído da partilha, acaba dedurando os outros integrantes do esquema. Tudo sazonado com um criativo nepotismo cruzado. O ministro de sorriso mafioso conseguiu se segurar um pouco, mas acabou demitido.

Na seqüencia, veio a operação da PF que detectou falcatruas diversas no Ministério do Turismo. Aqui avançamos um pouco mais, com diversos integrantes da quadrilha algemados e fotografados - apesar de sua feiúra - como vieram ao mundo. O pequeno ministro de olhar engraçado ainda tenta dar explicações – que não convencem ninguém.

Muitos ficamos entusiasmados com o que parecia ser o início de uma iniciativa séria da presidente "pulso-firme" para extirpar os muitos abutres que habitam os corredores dos poderes da República, surrupiam grandes quantias de dinheiro público, e ameaçam inviabilizar seu governo.

Mas alegria de pobre dura pouco. Apenas três dias depois de o PR, pomposamente, declarar “independência do governo”, eis que a presidente pede ao partido voltar para a base aliada. Pouco depois, dá ao PMDB, partido do vice-presidente seriamente envolvido nas tramóias da Agricultura, a certeza de que não haverá mais demissões.

Atitude lamentável para quem deveria usar o prestígio do cargo para moralizar o governo e pôr um freio à insaciável fome de fundos públicos desses corruptos. Para que o Brasil possa se desenvolver, é urgente reduzir o alto custo da política para o contribuinte brasileiro. Os fundos surrupiados por esses mafiosos é o que depois falta para suprir as necessidades da população.

O presidente Lula não o fez, preocupado como estava em distribuir verbas e cargos e garantir a tal “governabilidade”. Pelos sinais trocados que recebemos a diário, parece que sua sucessora já jogou a toalha.

Muito feio, presidente.

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