Interessante o que vem ocorrendo com os diversos governos ditos "de esquerda" que atualmente ocupam praticamente todo o mapa da América Latina: uma vez no poder agem exatamente igual, e com a mesma boçalidade, que as ditaduras militares de direita que padecemos em décadas passadas. Diziam combater a ditadura de direita, mas ao chegar ao poder se sovietizam.
O mais recente exemplo é o documento do PT prévio ao seu 4° Congresso, que vai de hoje até domingo em Brasília. Em um dos trechos, o documento rejeita a "faxina anticorrupção" que teria sido empreendida pela presidente Dilma, e joga as culpas na "oposição aliada a uma conspiração midiática".
São quase as mesmas palavras usadas, por exemplo, pelo governo da presidente argentina Cristina Kirchner para explicar - na prática, negar - os diversos casos de corrupção de sua administração.
Ora, após as eleições de 2010, a oposição perdeu no Congresso Brasileiro ainda mais espaço do que tinha. Além disto, no Brasil apenas uma minoria lê jornais e revistas de política e, a julgar pelos resultados das eleições, uma parcela ainda menor se interessa pelo assunto corrupção, que fez o ex-presidente Lula ganhar o simpático mote de teflon, em quem nada gruda.
A conclusão obvia é que nem a oposição, francamente minoritária, nem a imprensa, que só informa e comenta, têm força suficiente para provocar escândalos. Ao contrário, quem promove essas improváveis "faxinas" de que o PT reclama são os próprios políticos corruptos, que abundam na base aliada, e sua ânsia insaciável de dinheiro e poder.
Sem um ataque constante e eficiente aos focos de corrupção, nenhum novo imposto – a presidente Dilma insiste em querer criar mais um – será capaz de resolver os problemas brasileiros.

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