Algumas semanas atrás, em ato no NE, a presidente Dilma declarou: "Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para suas crianças e adolescentes. Não é o PIB, é a capacidade de o pais, do governo e da sociedade de proteger seu presente e seu futuro." Em teoria, Dilma está correta, mas todos sabemos que, se o crescimento do PIB brasileiro apresentasse números mais vigorosos, ele seria vendido à população como o triunfo da política econômica do governo.
Falar em educação no Brasil até agora não passa de conversa. Nos últimos 40 anos (1970-2010) o Brasil tem investido em média 4% do PIB, porcentagem similar à Coreia. Não obstante, no PISA (OCDE), a Coréia está em 2do. lugar, e o Brasil em 53ro. (Chile 44, Uruguay 47). Nos últimos anos, Brasil tem investido 5,4% do PIB, mais do que a Suíça (5,39%). Nem por isso o Brasil se destaca no quesito educação.
Segundo o Prof. Davi Silber (Macroeconomia, FEA-USP) o Brasil gasta mal. As causas, já conhecidas, são: 1) alta corrupção, 2) baixa qualidade do gasto. O Brasil investe hoje R$ 66,5 bi (5,1% do PIB). Os municípios são obrigados por lei a investir 25% dos recursos próprios e repasses do Gov. Federal. Dos quase 5.000 municípios brasileiros, muitos não investem; outros sequer enviam os dados para composição das estatísticas, e outros usam de "criatividade" e computam gastos que nada tem a ver com educação.
Segundo a OCDE, as notas médias em educacao devem ser (em pontos: 493 em leitura, 496 em matemática, 501 ciências. No último exame o Brasil tirou 412, 386, e 405 respectivamente. Entre os atuais universitários, 38% não sabem ler e escrever plenamente. Estes dados são do INAF (Indicador de Analfabetismo Funcional) elaborado pelo IPM (Instituto Paulo Montenegro) desde 2001, como resultado de uma amostra nacional realizada com 2.000 pessoas de 15 a 64 anos, incluindo 38 perguntas sobre o cotidiano (trajeto do ônibus, desconto em produtos). O INAF classifica a alfabetização em 4 níveis: plena, básica, rudimentar, analfabetismo. O analfabeto funcional consegue ler e escrever, mas não interpretar e associar as informações.
Entre 2000 e 2009, 30 milhões de estudantes ingressaram no ensino superior. O sistema brasileiro privilegia a quantidade em detrimento da qualidade. Segundo Vera Masagão (Ação Educativa), o que está se fazendo é popularizar o ensino superior sem qualidade. A partir da 8a. série todo aluno deveria ser capaz de compreender um texto e fazer cálculos com porcentagem. O Brasil ainda está longe disso. Entre pessoas de 50 a 64 anos, o analfabetismo funcional é ainda maior: 52%.
O que o Brasil precisa é parar com o discurso e passar para a ação.
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