No início de
dezembro foram divulgados os números da economia, confirmando o que muitos temíamos:
2012 terá sido um ano de crescimento pífio do PIB brasileiro. O crescimento
provável de 1,4% fica abaixo, inclusive, do 2% anunciado como “pessimista” pelo
próprio governo meses antes. Patética a desculpa do ministro Guido Mantega, de
ter sido “pego de surpresa” por um número tão frustrante, justamente ele, que diariamente
recebe os números de todos os setores.
O
desempenho da economia brasileira já vinha dando sinais de fraqueza desde o
primeiro semestre, o que tornava uma hipotética retomada no segundo muito difícil.
Pior ainda, não havia “arrasto” de 2011, que também teve crescimento decepcionante.
Mas, como de costume, jogaram a culpa na “crise dos países ricos”, e
prometeram crescimento mais vigoroso para o segundo semestre. Quantas vezes ouvimos
a mesma desculpa?
Não é preciso
ser economista para perceber que, por segundo ano consecutivo sob o comando de Dilma Roussef, a economia brasileira derrapa – depois de que, em
2010, as “torneiras” foram abertas para garantir sua eleição. O desempenho
pífio se dá justamente quando a economia deveria estar “bombando” pelas muitas
obras em curso para a Copa 2014 e Rio 2016. Porém, mais um ano termina com
números decepcionantes. Por que?
O argumento que
põe a culpa na crise externa é falso: com o Real valorizado e preços internos inflacionados,
o Brasil é hoje francamente importador, não apenas de insumos industriais, mas
também de um amplo leque de bens de consumo. Isto chega a ser uma vantagem
para o Brasil, que consegue manter a inflação sob controle – e o sonho de
consumo da população – graças ao grande fluxo de produtos importados. Uma boa
parte desses poderia ser fornecida pela indústria nacional, não fosse o conhecido “Custo Brasil” que torna qualquer produto fabricado no exterior melhor
e mais barato.
Consequência
lógica. Isto se reflete no rápido deterioro da balança
comercial brasileira dos últimos anos, que só se mantém superavitária graças aos grandes volumes
de exportação do complexo soja e minério de ferro. Nos rubros de produtos
industrializados o Brasil é hoje francamente deficitário, situação não passível
de ser revertida via proteção tarifária, que exacerba as ineficiências e faz aumentar
os preços internos.
Um claro retrocesso. Segundo a ABIMAQ, a produção
de máquinas, termômetro do investimento interno, recuou em 2012 nada menos que 14,6%,
praticamente aos mesmos níveis de 2007. Por outro lado, as importações de
máquinas respondem hoje por 60% do mercado (54% em 2011). O
uso da capacidade instalada é o menor em 40 anos.
Mensagem clara. A queda na produção
nacional de máquinas diz duas coisas: 1) que as indústrias brasileiras
estão investindo menos em sua produção e, por isso, comprando menos máquinas; 2) que
a indústria brasileira de máquinas não consegue competir com as similares importadas.
Até agora,
por mais de uma década, a administração petista vinha investindo na expansão do
consumo a qualquer preço. O pífio desempenho da economia brasileira dos últimos
anos, principalmente da indústria, mostra que essa política está agotada.
Será preciso uma abordagem
diferente, que fomente o investimento e não o consumo puro e simples, mas improvável de ser adotada por um governo demagógico e populista cuja ambição é agradar o eleitorado para se manter no poder.
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