Dias atrás, comentando o artigo “A pauta das ruas” do mestre Clóvis Rossi, na Folha, apontei que uma das opções da presidente Dilma Rousseff,
não mencionada no artigo, era tentar ganhar tempo com medidas apenas
cosméticas, apostando no efeito anestésico do futebol. Afinal, o Brasil está fazendo bonito na Copa das Confederações, e já estamos em contagem regressiva para a Copa de 2014.
Errei apenas no adjetivo: ao invés de “cosméticas”
devia ter dito “pirotécnicas”. Foi exatamente o que a Dilma tentou fazer há
dois dias ao anunciar – para recuar logo depois – os fogos de artifício a
seguir:
Plebiscito – os eleitores brasileiros se manifestaram
nas eleições de 2010 e elegeram o atual congresso, no qual a situação tem ampla
maioria. A lógica diz que os escolhidos têm a responsabilidade de representar
adequadamente o povo que os elegeu. Se isso não está acontecendo, feche-se o
congresso e chame-se a plebiscitos periódicos. Os contribuintes, agradecidos.
Constituinte – Se nova constituição fosse garantia de
alguma coisa, o Brasil, com sete cartas magnas em seu haver, estaria hoje entre
os países mais avançados do mundo. De fato, se a gente fosse julgar pelas
leis, nosso País seria um paraíso. O problema é que as leis não são cumpridas,
ou somente o são por quem não têm como não fazê-lo. O que precisamos é
cumprir a Constituição e as leis, doa a quem doer, e modificar as leis que já
não nos servem. Para nada disto é preciso mais uma longa e penosa fogueira de vaidades em que se transformaria uma Constituinte.
Corrupção crime hediondo – Que eu saiba, corrupção é
crime, e assim deveria ser punido. Corruptos safam porque: a) roubam muito; b)
roubam em quadrilha; c) pagam “pedágios”; d) têm certeza de impunidade.
Além destes, há diversos outros crimes hediondos que flagelam a população e também não
são punidos: latrocínio, estupro ou sequestro seguido de morte, queimar pessoas
vivas, etc.
Volto ao ponto anterior: cumprir as leis vigentes, e modificar as que ficaram obsoletas.
Volto ao ponto anterior: cumprir as leis vigentes, e modificar as que ficaram obsoletas.
Royalties do pré-sal – Por que 75% para educação e 25% para
saúde? Por que não 50/50? Afinal, um povo sem saúde não consegue nem mesmo
estudar. E a (falta de) infraestrutura, que atrasa o País? Fato 1: com Lula presidente
e Dilma ministra-chefe, o governo teve por vários anos a CPMF, mas não aplicou
um tostão na saúde. Por que o faria agora? Fato 2: nos 10 ½ anos que está no
poder o PT tem se preocupado com um sonho de consumo do brasileiro: o título
universitário. Porém, descuidou o ensino básico e o médio. Resultado: gente com
canudo que mal sabe escrever ou interpretar um texto de 10 linhas.
A reforma política está no centro do debate, mas o
custo da política também. Temos no Brasil um aparato político que não representa
adequadamente o povo nem muito menos promove seu bem-estar. Além disto, seu custo excede em
muito nossa capacidade de pagamento. Para que 3 senadores por estado, se 2 já
seriam suficientes? Para que tantos deputados federais e estaduais? Para que
tantos vereadores? Para que tantos diretores, assessores, etc.? Para que tantas mordomias? É preciso reformar a
política já e tirar esse tremendo peso do bolso do cidadão contribuinte.
Como Lula fez nos seus oito longos anos na
presidência, era previsível que Dilma tentasse empurrar a reforma com a
barriga. Afinal, ela herdou um governo marcado pela corrupção. Não devemos esquecer a sangria que significou, em 2011, logo no seu primeiro ano de governo, a queda
de nada menos que seis ministros envolvidos em casos de corrupção, todos os
quais saíram do Congresso, e pra lá voltaram quando perderam os cargos.
Por isso, chega de ideias mirabolantes: o que precisa é cumprir
as leis e botar os corruptos e delinquentes na cadeia. Chega de discurso; agora é arregaçar as mangas e trabalhar.
Chega de cortinas de fumaça, presidente Dilma.

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