Nos idos de 2002 chegava a ser cansativa a forma como antes, durante e até depois da
campanha, o candidato e presidente-eleito Lula martelava incessantemente com o
bordão Petobáiz, no particular
sotaque do chefe do PT. Em seus discursos, FHC e o PSDB representavam o demônio
que tinha “privatizado” a maior estatal brasileira, que Lula e o PT iriam
resgatar para o povo brasileiro. As acusações iam desde entregar o patrimônio
nacional ao capital privado, até a compra superfaturada de plataformas no
exterior, prejudicando a indústria e os trabalhadores brasileiros.
De tanto
insistir ao melhor estilo Joseph Goebbels (o famoso ministro da propaganda de Hitler) com acusações falsas que disparava sem nunca provar, e com a
conveniente ajuda de um espirro do sistema capitalista mundial, a maioria do eleitorado
brasileiro - que pouco antes tinha se refestelado na orgia de consumo do Plano
Real - se assustou e permitiu ao Lula o que ele, confessadamente, tanto desejava:
chegar ao poder.
Uma vez
instalado lá, ao poucos foi possível ver a verdadeira cara do PT: corrupção e
incompetência, aparelhamento do governo, farta distribuição de ministérios,
estatais, autarquias e cargos a políticos próprios e aliados, e até criação de novos
quando os existentes já não davam conta. Alegando preço “mais conveniente”, as
plataformas da Petobáiz continuaram a
ser compradas no exterior, e em 2005 o luxuoso Aerolula foi adquirido da
europeia Airbus, preterindo a Embraer. O nacionalismo
lulo-petista tinha ficado só no discurso.
Por estes
dias assistimos a uma interminável sucessão de revelações envolvendo a
Petrobras, outrora estatal orgulho dos brasileiros, cujas ações neste momento atingem
o nível mais baixo dos últimos 10 anos. Diretores da empresa e de grandes
empreiteiras que participam do esquema estão tendo a prisão decretada pelo juiz
que conduz a causa. O vasto esquema de desvio de dinheiro público instalado na Petrobras pelo PT + PMDB e sua base alugada não é novo, e nem devia pegar ninguém
de surpresa. De fato, começou a ser motivo de alerta já em 2009, quando as
primeiras denúncias foram feitas por parlamentares da oposição.
Contudo,
nenhum dos órgãos ditos "competentes", que deviam atuar de ofício, pareceu se
importar. As denúncias foram simplesmente arquivadas ou derivadas a outros órgãos,
que também as engavetaram. Somente em 2012 o TCU, mais uma vez instado pela oposição, se dispôs finalmente a investigar a compra superfaturada da refinaria sucateada
de Pasadena, Texas, operação que tinha ocorrido seis anos antes, em 2006. O escândalo
do sumiço de dinheiro do contribuinte brasileiro somente atingiu o grande público
em 2014, quando já era tarde e a roubalheira tinha sido consumada. Prejuízo
estimado para os cofres públicos: US$ 1,25 bilhão, sem contar os fabulosos honorários
pagos a um escritório de advocacia americano, supostamente para “assessorar” na
operação.
Tudo isso
ocorria enquanto Lula era presidente do Brasil, a atual presidente Dilma Rousseff
era Ministra das Minas e Energia, José Sergio Gabrielli, escolha pessoal do
Lula, era presidente da Petobáiz, e a
atual presidente da estatal, Graça Foster, era Diretora de Gás e Energia. Além
de ministra, com ingerência direta na Petrobras, Dilma era também presidente do
seu Conselho de Administração, cargo que assumiu em 2003, no início do governo
Lula, e só deixou em 2010 para ser candidata à presidência da República.
Como presidente do Conselho de Administração, Dilma teve responsabilidade
capital e direta na decisão que levou à infame compra da refinaria.
Como bons
piadistas, todos os envolvidos primeiro alegaram nada saber do caso, depois
negaram qualquer responsabilidade, a seguir tentaram defender a operação dizendo ter sido "uma decisão boa mas que deu errado", e por
último, como era previsível, com as provas se avolumando, não têm mais nada a
dizer. E o Lula, que negou e até hoje nega o “mensalão”? Até agora mudo.
Aos poucos, está se descortinando o incrível esquema de superfaturamento das obras da inacabada
refinaria de Abreu e Lima (PE). Tendo sido iniciada com participação do governo da
Venezuela, até o “bolivariano” e já felizmente falecido Hugo Chávez acabou caindo fora do empreendimento,
tal o tamanho da roubalheira.
Se a operação Pasadena transformou o dinheiro do "mensalão" em mero troco, pelos bilhões envolvidos, o caso Abreu e Lima ameaça deixar o caso Pasadena no chinelo.

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