Esta semana fomos mais uma vez surpreendidos por mais uma cena absurda protagonizada pelo presidente da República: foi divulgado nas redes um vídeo que mostra Jair Bolsonaro comendo frango com farofa numa barraca de Brasília.
O fato de a) ser mostrado sozinho à mesa, b) vestido de forma inadequada para um homem de 66 anos, c) não interagir com a pessoa que o serve ou com algum dos presentes na barraca, e d) sua expressão de quem não está para nada relaxado ou feliz com a situação chamam poderosamente a atenção.
O vídeo deixa em evidência que foram feitas várias tomas, ora com Bolsonaro sentado à mesa de um jeito, ora de outro, mas o fato mais chamativo é que havia mais farofa na sua ropa, e no chão, do que na mesa. Como churrasqueiro que já fez muitos eventos com grande número de pessoas, posso dizer que nunca vi ninguém se emporcalhar desse jeito para comer espeto de frango com farofa.
A armação foi logo descoberta e divulgada por internautas: a cena foi preparada por Carlos, o filho 02 do presidente, com a provável intenção eleitoreira de apresentar uma imagem do presidente como homem simples, do povo. Porém, a repercussão instantânea foi tão negativa que, segundo os meios, o vídeo foi imediatamente retirado do ar por ordem de Fabio Faria, genro de Silvio Santos, dono do SBT, que Bolsonaro tem como seu ministro das Comunicações. Porém, já era tarde: a imagem tinha explodido nas redes.
Ou seja, foi uma iniciativa, muito torpe, diga-se, do círculo de áulicos e inúteis de que o presidente gosta de se rodear, com o objetivo de promover sua imagem com vistas às próximas eleições. O tiro saiu pela culatra. Se essa é a forma em que seus amigos e partidários imaginam promover a imagem de Bolsonaro, ele não precisa de inimigos.
De fato, mais do que homem do povo, o que conseguiram foi faze-lo aparecer como um troglodita, incapaz de comer com um mínimo de educação. Pela sua expressão, no mínimo contrariada, não me cabe dúvida que Bolsonaro deve ter se submetido a isso muito a contragosto.
Mesmo assim, não dá para eximir o presidente de culpa. Se fosse meu pai, eu nunca faria, nem permitiria que alguém faça, um vídeo em que meu velho apareça como um homem sem modos à mesa. E, se fosse meu filho, eu não permitiria que ele ou ninguém me retratasse como um homem das cavernas.
Isto leva a uma triste conclusão em duas vertentes. A primeira, que Carluxo deve ser um péssimo filho por se mostrar capaz de fazer e divulgar um vídeo em que retrata seu progenitor como um homem que dá vergonha alheia.
E, como pai, Jair Bolsonaro deve ter feito um péssimo trabalho, pois evidencia que não foi capaz de ensinar a seu filho a diferença entre o bem e o mal, entre o certo e o absurdo.
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