Não deixa de surpreender a capacidade do governo Bolsonaro de gerar escândalos. Membros de seu governo continuam se envolvendo em casos de corrupção. Justo ele que, não muito tempo atrás, se gabava de ter acabado com a corrupção.
Meses atrás assistimos ao Covaxin-gate, em que um bando de patetas corruptos do Ministério da Saúde (MS) reservou R$ 1,67 bilhão para a compra de uma vacina inexistente, sem aprovação da ANVISA, com pagamento antecipado, e comissão paga no exterior, em operação triangulada por personagens estranhos como um PM de MG, e uma empresa de fachada em Singapura.
O caso que nos ocupa agora envolve nada menos que pastores da chamada bancada evangélica. Ficamos sabendo esta semana que esses supostos homens de Deus se apropriam das suculentas verbas do Ministério da Educação para distribui-las com critérios non sanctos. O próprio ministro da Educação, Milton Ribeiro, é pastor evangélico. Porém, não se conhece nada de positivo que tenha feito pela paupérrima educação pública no Brasil.
O escândalo veio à tona graças a um áudio divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo em que o ministro Milton Ribeiro fala que pastores evangélicos têm prioridade na liberação de verbas de sua pasta por ordem expressa do próprio presidente Jair Bolsonaro. Estamos falando de milhões de R$ que são destinados a municípios brasileiros, principalmente em regiões pobres, onde esses pastores desonestos costumam ter sua freguesia cativa.
Um dos prefeitos abordados, Gilberto Braga (PSDB), de Luís Domingues, MA, denunciou que o pastor evangélico Arilton Moura lhe pediu um retorno de R$ 15.000 (aprox. US$ 3.000) a ser pago na hora, e mais 1 kg de ouro (aprox. R$ 304.000). O pedido de ouro pode parecer insólito, mas faz sentido: é muito difícil de ser rastreado. O tal pastor justificou o pedido antecipado dizendo que "políticos são desonestos, recebem a verba, e depois não pagam o retorno acordado". A realidade supera a ficção.
Em Jan/2022, o ministro Milton Ribeiro foi denunciado pela PGR por se manifestar contrário a que pessoas de classe baixa frequentem a universidade, e por declarações homofóbicas. Nada digno de alguém que se diz "cristão". Na questão da Educação, que deveria ser prioridade absoluta no Brasil, o governo Bolsonaro acumula um triste recorde de ministros torpes, inoperantes, e até corruptos que nada fizeram para melhorar a situação:
- Ricardo Vélez, um colombiano que mal falava português, foi o primeiro ministro da Educação de Bolsonaro por indicação de Olavo de Carvalho, o já falecido guru da Virgínia;
- O sucessor foi Abrão Weintraub, que fez lambança com o ENEM e precisou vir a público se desculpar. Acabou fugindo na calada da noite para os EUA com um falso passaporte diplomático arranjado pelo seu chefe;
- Carlos Dacotelli, o fajutador de CVs que incluiu cursos de verão no exterior como se fossem de mestrado e doutorado. Acabou sendo demitido antes de ser empossado;
- Milton Ribeiro, o atual pastor terrivelmente evangélico. Não se conhece nada de positivo que tenha feito em favor da Educação Pública do Brasil além de distribuir verbas de sua pasta entre seus pares;
Outro ministério que também deveria ser prioridade absoluta, mas foi deixado às moscas pelo governo Bolsonaro e acabou tomado pela corrupção é o da Saúde (MS), mas deste falaremos em outra entrega.

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