Em 12/09, o candidato Lula se submeteu à sabatina de William Waack na CNN Brasil (Jair Bolsonaro foi o único candidato que não respondeu ao convite). Entre outras coisas, Lula tentou separar seu governo do de Dilma, admitiu corrupção, culpou Aécio Neves pela atual animosidade contra ele, e comparou Bolsonaro a Hitler e Mussolini. Aqui analiso alguns trechos:
Waack: Sua própria carreira política
recente esteve pendurada numa decisão do STF, foi por culpa dela que o senhor
foi para a cadeia, e foi por culpa de outra decisão do STF que o senhor está
podendo participar da eleição agora. O que o senhor faria diferente? O
impeachment de ministros do STF, por exemplo, estaria na sua agenda?
Lula: Deixa eu te contar uma história fantástica. Pela primeira vez na história do Brasil, eu sou culpado de ser inocente. É fantástico, porque eu disse o tempo inteiro que tinha um juiz mentindo, que tinha um grupo tarefa do Ministério Público, que é grave, que induziram a sociedade e a imprensa brasileira a vender as mentiras que eles contavam como se fossem verdade. Eu tive que provar na Justiça a minha inocência e provar a culpa deles, porque fomos nós que provamos toda a maracutaia e falcatrua que foram feitas. Eu tive juiz da Suprema Corte que evitou que eu fosse ministro.
MENTIRA: Lula não foi inocentado como ele quer nos convencer aqui. As fartas provas contra ele relacionadas ao sítio de Atibaia e o Triplex do Guarujá foram anuladas pelo STF com base numa tecnicalidade jurídica, a de que ele não poderia ter sido processado e julgado pela força tarefa de Curitiba, criada para tal fim, por uma questão de competência territorial.
O STF não apontou esta suposta falha no início, mas deixou o tempo passar, e inclusive permitiu que o Lula passasse um tempo confortavelmente hospedado numa suíte da PF em Curitiba com direito a TV, Internet e visitas. Perto da data de prescrição, numa clara manobra para livrar a cara dele e outros corruptos, o STF alegou erro processual, e de uma canetada anulou todo o processo.
Waack: O senhor chegou a dizer que não
sabia de muita coisa do que estava acontecendo. Qual é hoje a sua versão para o
que aconteceu?
Lula: Veja, a minha versão é que algum diretor da Petrobras que reconheceu que roubou pagou o preço. Eu não posso dizer que não houve corrupção se as pessoas delataram. Se o Sérgio Cabral, no Rio de Janeiro, reconheceu o erro que ele fez, se outros denunciaram de que receberam favor de empresas, essa gente cumpriu uma pena. O que eu acho grave é que essas pessoas foram beneficiadas por uma delação premiada na qual o objetivo era tentar me culpar. Então veja, meu caro, eu acho que não há espaço para que as pessoas pratiquem corrupção nesse país. Eu acho que não há espaço para um diretor de uma empresa praticar corrupção. Se praticar e for descoberto, ele vai investigar. Muita gente fala: ah, mas você indicou o diretor? O Presidente da República não indica diretor. Quem indica diretor é o conselho da Petrobras.
MENTIRA: não houve "um diretor da Petrobras que roubou". O que houve foi o loteamento deliberado das diretorias da empresa e suas subsidiárias entre aliados políticos, com carte blanche para todo mundo fazer o que bem entendesse com os dinheiros da empresa. Foi isto que levou a Petrobras a perder 90% do seu valor de mercado.
A compra super hiper faturada da refinaria sucateada de Pasadena, Texas, não foi obra de um diretor, mas aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras, tanto que à época a Dilma se defendeu dizendo que tinha sido "enganada pelo Conselho".
O TCU - tão rigoroso com as diárias da Lava Jato - demorou 6 (seis) anos para começar a investigar a falcatrua de Pasadena. Só o fez por insistência do sen. Alvaro Dias, então no PSDB.
Fato irrefutável: muitos dos pilantras que estavam então com Lula – Collor, Bob Jefferson, Vademar Costa Neto, Eduardo Cunha – são hoje aliados incondicionais de Bolsonaro. Se Lula ganhar, pode escrever, esses picaretas vão a virar a casaca – de novo.
Waack: Só para completar a pergunta,
desculpe minha falta de cortesia. Não quero parecer
agressivo, nem interrompê-lo. Só gostaria de pontuar o seguinte: Sim, houve
loteamento político na diretoria da Petrobras. O senhor não sabia disso?
Lula: Deixa eu lhe falar uma coisa, acontece na democracia de qualquer país do mundo, quando você ganha uma eleição, você faz uma composição para ganhar as eleições. Eu, por exemplo, agora, tenho dez partidos pequenos que fazem composição comigo. Se a gente ganhar as eleições, esses partidos irão participar do governo, eles terão o direito de indicar aqui como indicaram na Alemanha, como indicaram nos Estados Unidos, como indicaram na França, isso faz parte da democracia. O que não tem sentido é você ganhar as eleições e o teu adversário indicar. Então essas pessoas indicam essas pessoas. E cada pessoa que é indicada, ele é eleito pelo conselho dessas empresas. Então, meu caro, você não tem como fazer a não ser assim. Você não tem... como é que você escolhe um ministro da Suprema Corte? Como é que você escolhe um diretor da Polícia Federal? Como é que você escolhe um procurador-geral da República? Como é que você indica os diretores para o conselho da Petrobras e para o conselho de outras empresas? É indicação das pessoas, sabe, que participaram do seu processo.
MENTIRA: Ao tentar justificar a si mesmo e sua política de loteamento de cargos em troca de apoio, Lula acaba justificando Bolsonaro que fez exatamente o mesmo. Este loteamento constante de cargos não existe em países sérios. Os EUA têm regime presidencialista com somente dois partidos hegemônicos, Republicano e Democrata, e isto é assim há 200 anos.
Os países da Europa Ocidental são todas repúblicas (algumas monarquias) parlamentárias. O Parlamentarismo só funciona com partidos tradicionais, fortes; não funciona com partidos de aluguel. O partido ou coalizão que ganha a eleição faz o Primeiro-Ministro e os membros do gabinete. Em ambos os casos se trata de partidos cujos políticos não trocam de legenda como ocorre no Brasil onde temos, inclusive, uma insólita janela como a que permite que jogadores de futebol troquem de clube.
Waack: É ótimo o senhor ter introduzido o
assunto da economia, porque está bem grande aqui a minha pauta, evidentemente
que nós íamos abordar isso. O que o senhor pretende, por exemplo, e tem trazido
a público, em termos de programas de transferência de renda, valorização do
salário mínimo, de onde o senhor vai buscar recursos?
Lula: William, não fale isso comigo, não, porque esse humilde candidato que está falando com você, quando ganhou as eleições de 2003, a inflação estava 12%, a gente devia para o FMI, e o desemprego estava 12%. Muita gente na sociedade dizia que o Lula não ia poder consertar o Brasil, que o Brasil ia quebrar. Nós tínhamos uma dívida pública de 60.5%. O que aconteceu nesse país? Nesse período, aconteceu que a gente reduziu a dívida pública de 60.5 para 37.(...)
Waack: Vamos ver o que aconteceu nesse
período, logo depois que o senhor... o senhor teve dois mandatos, depois veio
Dilma. Nós tivemos, como o senhor descreve, uma política voltada para criar
superávits primários, ou seja, capacidade de criar o superávit sem considerar o
pagamento de dívida, isto foi se deteriorando lá no seu segundo mandato. As
propostas foram... são os números, eu não vou brigar com o IBGE.
Lula: Me dê os números.
Waack: O senhor passou de 3,5% de superávit
primário para um déficit de 4,5% ao final do governo Dilma.
Lula: Não, não é verdade.
Waack: O que eu quero descrever e, a partir
daí, lhe perguntar, é o seguinte: A ideia de que o Estado seria um grande
indutor do crescimento através de volumosos investimentos e papel dos bancos
públicos, essa ideia acabou no maior desastre econômico brasileiro do século.
Nenhum país que não esteve em guerra perdeu tanta renda como o Brasil perdeu
ali entre 2014, 15 e 16. Ou seja, a fórmula aparentemente não funcionou.
Lula: Deixa eu te contar uma coisa. Eu vou investir na fórmula que foi um sucesso extraordinário, eu vou separar, o dado que você falou, vou pegar o meu mandato, tá?(...)
MENTIRA: a bonança econômica durante os anos
Lula - vejam que aqui ele quer separar seus mandatos dos da Dilma – se deveram basicamente
a dois fenômenos simultâneos e provavelmente irrepetíveis:
1. O boom das commodities resultante de:
a) O surgimento a partir de meados dos anos 1990 de China e Índia como
grandes importadores de matérias primas, e exportadores de produtos manufaturados e bens de consumo de
baixo preço;
b) Alta liquidez internacional, com grandes volumes de capitais em constante movimento ao redor do mundo procurando melhores rendimentos;
c) A emissão pelos EUA de US$
bi/trilhões para sustentar a guerra em duas frentes simultâneas, Afeganistão e
Iraque, depois dos atentados ao WTC em 2001;
2) O Brasil, com Palocci na Fazenda e
Meirelles no BACEN, oferecia uma taxa Selic muito alta que atraiu US$ bilhões que vieram a financiar consumo, principalmente de produtos
importados, e se aproveitar das altíssimas taxas de juros internas, que não
existiam no resto do mundo, onde estavam próximas de 0%.
Esta foi a bomba de efeito retardado que Lula deixou armada, e que estourou no colo da inepta Dilma com o fim do boom das commodities. Lula só escolheu a Dilma porque imaginou que ela seria fácil de manipular. O plano original era que Dilma ficasse só um mandato, e depois Lula voltaria. Dilma bateu o pé, e consegui sua reeleição.
Fato: o ministério do primeiro ano de Dilma foi todo montado pelo Lula. Nesse ano de 2011, Dilma perdeu 7 (sete) ministros, 6 (seis) deles por acusações de grossa corrupção em suas pastas. O único ministro de Dilma que não foi acusado de corrupção, e se demitiu por não concordar com a orientação do governo, foi Nelson Jobim.
Waack:
Desoneração é uma renúncia fiscal importante. O senhor pretende manter?
Lula: É importante...
Waack: Mas não houve.
MENTIRA: Não funciona porque não pode haver renúncia fiscal sem que haja, ANTES, redução do gasto público. No Brasil atual, os três poderes da República, Executivo, Legislativo, e Judiciário, e nos três níveis de governo, federal, estadual e municipal, se associaram para sugar o sangue do cidadão contribuinte. Reduzir impostos (e taxa de juros interna) é condição sine qua non para que o Brasil possa desenvolver todo seu potencial.
Para tanto, é preciso reduzir urgentemente o pesado custo da máquina pública, um buraco negro que a cada ano suga mais e mais recursos públicos. Um dos principais itens do gasto público é o enorme custo do aparelho político, com quase 40 partidos que vivem das arcas do Estado, em lugar de se manter com as contribuições voluntárias de seus afiliados como é no mundo civilizado.
Na prática, sempre que houve redução temporária de impostos e/ou taxa de juros – para carros, eletrodomésticos, caminhões – as vendas desses produtos aumentaram porque pessoas e empresas antecipavam suas compras, para depois caírem novamente com o fim do incentivo.
Isto mostra claramente que reduzir impostos funciona como indutor da produção e o consumo.

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