Faltam poucos dias para a eleição presidencial. Segundo as pesquisas, 75% do eleitorado declara sua preferência por dois candidatos M&M: Molusco ou Mandrião. É fato que nenhum dos dois tem um projeto viável para o Brasil. Explico.
Se eleito, o Molusco vai retomar o plano do Foro de São Paulo que foi primeiro favorecido pelo boom das commodities, e a seguir interrompido pelo impeachment. Este plano consiste em impor ao Brasil (e à América Latina inteira) um regime similar ao chavista bolivariano, por sua vez inspirado em outro rotundo fracasso mundial, o castrismo cubano.
Os excepcionais preços internacionais das commodities, que se mantiveram altos durante todo o governo do Molusco, os fez acreditar que a bonança duraria para sempre, e o caminho ao Socialismo do Século XXI seria suave e pavimentado pela Petrobras que, com suas fartas tetas alimentaria seus aliados nacionais e estrangeiros. Foi assim que a estatal brasileira de petróleo perdeu 90% de seu valor de mercado.
A interrupção foi o impeachment da Dilmanta. O plano original era que, uma vez findos seus 4 anos, ela deveria sair para a volta do Molusco. , algo similar ao enroque Putin - Medvedev na Rússia, ou Kirchner - Kirchner na Argentina. Passou que ela bateu o pé e, apesar de seu desempenho ruim, conseguiu ser reeleita -eleitor, você é o responsável pelo que elege.
O impeachment só foi adiante porque a Câmara era presidida por Eduardo Cunha, um dos maiores pilantras da política brasileira. Até o último momento ele tentou chantagear o Poder Executivo para não incluir o pedido de impeachment na pauta de votação. Como corrupto não aceita chantagem de outro corrupto, não houve acordo, o pedido foi votado e aprovado, o que deu lugar ao interinato do vice-presidente poeta Michel Temer.
Enquanto isso, avançavam dois processos (menores) por corrupção contra o Molusco: os sonados casos do Triplex do Guarujá e o Sitio de Atibaia, ambos com fartas provas da confusão entre o dinheiro público e o privado. A população ia sendo diariamente informada das bilionárias falcatruas do PT no poder.
Da refinaria de Abreu e Lima (PE), superfaturada em mais de 20 vezes – tanto que até o já felizmente falecido líder bolivariano Hugo Chávez caiu fora da parceria ao perceber que estava sendo roubado por seus comparsas igualmente socialistas – passando pelas refinarias prometidas aos governadores para obter apoio político, pagas de forma antecipada, mas nunca construídas, até a compra hiper super faturada da refinaria sucateada de Pasadena, Texas (para mencionar só algumas).
Até os seguidores do Mandrião, que tanto falam de corrupção - só a dos outros, claro - esquecem de mencionar os R$ bilhões desviados com as obras da Copa das Copas de 2014, e as Olimpíadas de 2016. Todas tiveram seu início propositalmente atrasado com a velada intenção de justificar aditamento de contratos, com a consabida desculpa da urgência, e claro, superfaturamento. O Molusco e seus aliados não deixaram uma única fonte de caixa sem pôr suas cobiçosas garras.
O Brasil ia sendo tomado por uma forte onda lava-jatista que o outro M, o Mandrião, surfou com grande éxito até alcançar a Presidência. Agora, já no final de seu primeiro e, com sorte, último mandato de um governo igualmente pragado de corrupção, embora muito menor, sabemos que seu único objetivo é ficar no poder para aproveitar as benesses e, em 2026, talvez emplacar um de seus filhos, provavelmente o 01 que estará no fim de seus 8 longos anos como inútil senador.
Foi para isto que o Mandrião traiu todas suas promessas de campanha, fritou e defenestrou antigos aliados que o ajudaram a chegar lá, renegou de tudo que tinha dito antes, vendeu a alma ao diabo, aliou-se ao que há de pior na política brasileira, e entregou a chave do cofre ao Centrão que tanto criticava.
Assim, chegamos a Out/2022 com o Brasil parado no tempo. Estamos hoje diante da mesma escolha ruim de 2018: votar não no melhor candidato, mas naquele que jura ser menos ruim do que o outro.
Os dois estão a enganar o eleitorado: o Molusco pede nosso voto para “Voltar a ser feliz”, e o Mandrião faz o mesmo “Porque, senão, o PT volta”.
Um se justifica pelo outro; um não existe sem o outro.
É o Brasil preso na armadilha entre a esquerda-retrógrada, enfileirada atrás do Molusco, e a direita-burra, arregimentada pelo Mandrião.
Que o Altíssimo, em sua infinita misericórdia, nos livre de ambos.
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