Depois de ver as cenas dos inauditos ataques de ontem em Brasília, que vandalizaram as sedes dos três poderes da República, o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional, e o STF, a gente chega à conclusão de que Deus deve ser mesmo brasileiro: ao que parece, nenhum dos aprox. 4.000 alucinados portava armas de fogo ou bombas incendiárias. Se as tivessem, com certeza as teriam usado, e a invasão de Brasília pelos seguidores do fugido ex-presidente poderia ter acabado em grande tragédia.
Tudo aponta a que o governador do DF, Ibaneis Rocha, e seu Secretário de Segurança Anderson Torres que, recém-empossado, viajou de férias e já foi exonerado, sejam os principais responsáveis. Porém, também os flamantes ministros da Justiça (MJ) Flávio Dino, o verborrágico, e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Gonçalves Dias, também falharam feio em seus primeiros testes como membros do primeiro escalão: nenhum dos dois foi capaz de prever que 100 ônibus lotados de fanáticos se dirigindo para Brasília poderiam causar tanto tumulto.
A tudo isto devemos somar a aparente complacência, ou diretamente desídia, da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Imagens captadas durante os distúrbios mostram policiais tomando água de coco, e até tirando selfies com os vândalos. Não foi revelado ainda que ordens esses policiais tinham, se era para agir, ou somente observar, mas fica mais do que evidente que por parte dos comandantes houve negligência, falta de profissionalismo, e total falta de previsão, que poderia ter derivado em tragédia.
Chama a atenção a facilidade com que milhares de vândalos invadiram os três prédios e provocaram tamanha destruição sem que houvesse uma única tentativa de dete-los. A esta altura já surgem teorias de que os ataques teriam sido permitidos de forma premeditada, com o objetivo de por uma pá de cal na direita burra bolsonarista, dizem alguns, ou de expor a incompetência do governo de esquerda retrógrada, dizem outros.
Seja como for, ambas as metas teriam sido atingidas.
Os que promoveram esses atos de vandalismo chamam a si mesmos de “patriotas”, “do bem”, e outros slogans fáceis com que Jair Bolsonaro infectou os corações e mentes de seus seguidores e, com isso, contribuiu a aprofundar o sentimento antidemocrático e a divisão entre os brasileiros.
Quem chama a si mesmo de “patriota” e “cidadão do bem” não comete esses atos de vandalismo; não bloqueia e interrompe as principais vias, como a Av. Rubem Berta em São Paulo, numa insólita tentativa de fechar o Aeroporto de Congonhas, afetando a vida de milhares/milhões de pessoas; não vandaliza e destrói patrimônio público e privado.
A ação inconsequente desses aloprados abre as portas para o perigo real de um endurecimento do governo lulo-petista logo no início do mandato. Há o risco real de que ala mais à esquerda do partido queira usar os atos de vandalismo como pretexto para tomar medidas que cerceiem as liberdades individuais.
De fato, ontem mesmo o governo Lula decretou a intervenção federal “na segurança” do DF, e muitos já estão pedindo a cabeça do governador Ibaneis Rocha que, afastado por 90 dias pelo implacável ministro Alexandre de Morais (STF), precisará fazer malabarismos si quiser se manter no cargo.
Esses vândalos alucinados apostaram no “quanto pior, melhor” e fizeram um enorme desserviço à causa da direita - na verdade, são direita burra (tão nefasta quanto a esquerda retrógrada), da qual Bolsonaro é o principal expoente, mas não o único.
O País precisa que apareça um líder de centro-direita, digno desse nome, republicano e democrático, capaz de resgatar os valores das liberdade individual com responsabilidade, as ideias do libre mercado, o Estado de tamanho razoável, e o respeito à propriedade privada. Enquanto esse líder não aparecer, a direita responsável continuará sendo refém e confundida com esses amalucados.
Para nós os cidadãos-contribuintes sobrará a conta, com certeza várias vezes milionária, que o vandalismo indolente desses desmiolados nos deixou.

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