Com a frase "É tudo bafo de boca", o saudoso Paulo Francis resumia o estilo dos revolucionários de papel que falam muito, mas nada fazem. Sua frase, originalmente dirigida à esquerda retrógrada pró-soviética, aplica-se também, perfeitamente, à direita burra que acaba de ficar desnorteada com a atitude do falso líder, que fugiu e deu uma banana a seus seguidores.
Durante seu mandato, Jair Bolsonaro fez bravatas, xingou, debochou, insultou e ameaçou, mas nada fez de concreto para favorecer a chamada direita, muito menos as ideias do liberalismo econômico. No final, acabou fugindo antes do término do seu mandato, sem avisar ninguém, e deixando no vácuo os milhares de alucinados que acreditaram em suas palavras vazias e fizeram vigília na porta dos quartéis.
Mesmo já fora da cena, não deixa de ser preocupante que tantos brasileiros continuem considerando um sujeito tão limitado como seu líder ao ponto de chama-lo mito, e que ele seja considerado a encarnação de uma suposta direita conservadora, cristã, e "do bem". A este respeito:
- Cristão não chama jornalista de puta ou viado;
- Cristão não rebaixa alguém pela sua condição de mulher;
- Cristão não tira máscara de criança em plena pandemia;
- Cristão não xinga ministro do STF de FDP em ato do Dia da Independência.
De volta ao poder, a esquerda-retrógrada precisa agradecer muito especialmente ao pateta direita-burra por esta nova chance de impor ao Brasil os objetivos do Foro de São Paulo, agora rebatizado com o simpático nome de Grupo de Puebla, e implantar a tão propalada pátria grande.
Porém, o mundo já não é o mesmo de 2003, quando todas as tormentas que até o ano anterior haviam afetado o governo FHC desapareceram como num passe de mágica. Em pouco tempo no poder, o regime bolivariano transformou a Venezuela – que guarda em seu subsolo o equivalente a US$ 1,5 milhão por habitante em riquezas petrolíferas – em um dos países mais empobrecidos do mundo. Milhões de venezuelanos foram forçados a deixar o país para fugir da ditadura genocida de Nicolás Maduro.
Assim que o felizmente falecido Hugo Chávez chegou ao poder em 1999 – pelo voto popular, diga-se – apareceram os primeiros sinais de sua intenção de implantar um regime comunista a la cubana. Os venezuelanos diziam não ser possível porque "nosotros no somos Cuba". Em pouco tempo, porém, a nefasta profecia tornou-se realidade. Hoje a Venezuela, embora infinitamente mais rica que Cuba, é igualmente pobre, e olha para um futuro desolador enquanto durar esse regime opressor e assassino.
Já no Brasil, "Se eu errar, o PT volta", Jair Bolsonaro dixit em 2019. Errou feio: mostrou-se torpe, inepto, despreparado, boquirroto e desonesto; traiu todas suas promessas de campanha; vendeu a alma ao diabo, e entregou a chave do cofre ao Centrão (que tanto criticou).
Bolsonaro nunca teve projeto político, muito menos de País. Seu único plano foi simplesmente ficar no poder e desfrutar de suas benesses. JB decepcionou a milhões de eleitores que em 2018 tinham lhe dado seu voto. Resultado: graças à sua torpeza e inépcia, o PT corrupto e mafioso voltou ao poder.
Se é que a centro-direita tem no Brasil gente séria e comprometida com os valores conservadores e do liberalismo econômico, para afastar de vez a ameaça socialista empobrecedora, precisa deixar JB para trás e encontrar um líder de verdade - não um falastrão - um que seja digno, sério, compromissado com o País, não apenas da boca pra fora, com uma história de vida coerente com altos objetivos, não um aloprado que foi expulso do EB por conspirar para plantar bombas em suas dependências.
Não será tarefa fácil: a maioria da classe política atual não tem compromisso com o País; preocupa-se apenas com cargos e verbas, e sucumbe ao vil populismo com que há décadas ilude a massa que mantém propositalmente na ignorância e na desinformação. O próprio sistema político-partidário brasileiro está desenhado para que os mesmos se perpetuem no poder e tenham acesso ilimitado aos cofres públicos.
Como nos EUA, em que até agora não surgiu no Partido Republicano nenhum líder capaz de desafiar a liderança do ex-presidente Donald Trump, também não vemos no Brasil um líder capaz de aglutinar a centro-direita em torno de ideias concretas, desenvolvimentistas, que superem a mediocridade e o estancamento que já duram décadas.
Esta é tarefa prioritária, se não queremos que a esquerda anacrônica e empobrecedora, que ainda idolatra Marx, Lenin, Stalin, Fidel Castro, Daniel Ortega e Hugo Chávez, continue no poder por longos anos.

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