Em 4/1/24, em entrevista ao jornal O Globo, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, chocou a opinião pública ao denunciar que os “golpistas de 8/1/23” tinham três planos diferentes para prendê-lo, matá-lo, enforcá-lo, etc. Segundo o jornal, o ministro declarou:
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“O terceiro [plano] defendia que, após o golpe, eu deveria ser preso e enforcado na Praça dos Três Poderes. Para sentir o nível de agressividade e ódio dessas pessoas, que não sabem diferenciar a pessoa física da instituição”.
Os outros dois planos consistiam em ser preso pelas Forças Especiais do Exército e levado para Goiânia (GO), e um homicídio. O ministro ainda chegou a falar de se livrarem do corpo.
“Eram três planos. O primeiro previa que as Forças Especiais [do Exército] me prenderiam em um domingo e me levariam para Goiânia. No segundo, se livrariam do corpo no meio do caminho para Goiânia. Aí, não seria propriamente uma prisão, mas um homicídio”, explicou Moraes.
Moraes disse que há um inquérito para investigar o planejamento dessas atividades, com possibilidade de envolvimento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
“Houve uma tentativa de planejamento. Inclusive, há outro inquérito que investiga isso, com participação da Abin, que monitorava os meus passos para quando houvesse necessidade de realizar essa prisão”.
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Trata-se de denúncia gravíssima, que não pode ser feita pelo expediente de uma simples entrevista a um jornal, mesmo que de grande difusão. O ministro Alexandre de Moraes não é um mero “influencer” das redes sociais, mas um dos principais e mais ativos ministros da mais alta Corte de Justiça do país.
Se de verdade foi descoberto um plano macabro como o ministro alega, deveria ser comunicado aos cidadãos do País pelos canais oficiais.
Muito mais grave ainda é o fato de a denúncia do ministro involucrar a participação direta de órgãos de Estado tais como a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), e o próprio Exército Brasileiro. Tudo sem apresentar qualquer evidência, como se fosse uma simples conversa de boteco entre dois amigos que tomam um chopinho de final de tarde.
Mesmo se houvesse apenas indícios do envolvimento desses órgãos, já justificaria a imediata intervenção nos mesmos.
Surpreendentemente, não há até agora sinais de que alguma devassa tenha sido ou esteja sendo efetuada; apenas a informação de que haveria "uma investigação em andamento" e, como não podia ser diferente, "correndo em sigilo".
Depois do dia 4/1/24, quando o ministro deu a entrevista a O Globo, não houve mais menção ao assunto.
A gente se pergunta qual seria a verdadeira intenção de vir a público com uma denúncia tão grave quanto essa, tendo passado já 1 ano dos lamentáveis atos de vandalismo e quebra-quebra de 8/1/23 em Brasília.
Detalhe: na data dos incidentes, o ministro estava de férias com sua família em Paris, ou seja, os “golpistas” que supostamente queriam prendê-lo iriam ficar muito frustrados porque não iam conseguir achá-lo.
Pelo que o ministro disse a O Globo a seguir, a gente tem uma pista das verdadeiras intenções de se chocar a opinião pública brasileira com uma denúncia como essa, séria, grave, mas sem provas. Segundo O Globo, o ministro “voltou a reafirmar a necessidade de regulamentação das redes sociais”.
É absurdo, ainda mais na boca de um juiz da Suprema Corte do País: Qual a relação entre a suposta tentativa de “golpe” e regulamentar as redes sociais? Com as redes sociais “regulamentadas”, sonho molhado do Lula e o PT, os golpistas que, segundo a alegação, iram derrubar o governo, prender o ministro, e enforcá-lo em praça pública, ficariam sem meios de fazê-lo?
Se um grupo estivesse organizado e preparado para levar a cabo os gravíssimos fatos que o ministro denuncia, nem remotamente a regulamentação das redes sociais teria o efeito de anular a ameaça.
A narrativa não cola e precisa ser melhorada.

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