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Die hard... with a vengeance

 



Quem não lembra do último filme da trilogia que trazia John McLane, o policial-herói de Nova York, em sua derradeira missão – ver aqui

Pode ser o caso de Donald Trump, presidente eleito pelo Partido Republicano que, no mês passado, ganhou a eleição presidencial dos EUA de lavada da mediática candidata democrata Kamala Harris. Trump tem um ego enorme, e poderá querer usar seu poder para se vingar dos que, em 2020, negaram-lhe a reeleição. 

Pode ser trágico, não apenas para os EUA, como para o resto do mundo. Ainda falta mais de um mês para sua posse em 20 de janeiro, mas Trump já está dando as cartas, antecipando tudo que pretende fazer a partir do primeiro dia, e a respeito dos mais diversos assuntos desde política interna, externa, ao comércio internacional.

No plano interno, Trump já anunciou a deportação em massa de imigrantes ilegais, um dos mais flagrantes fracassos de Kamala Harris como vice-presidente do desistente e defenestrado Joe Biden, e que cortará todo o financiamento federal para programas de aborto e mudança de sexo de crianças e adolescentes, duas aberrações promovidas pelos governos “liberais” democratas.

Trump anunciou também sua intenção de cortar drasticamente o déficit do governo federal. Para tanto, anunciou como colaborador especial o mega bilionário Elon Musk para produzir cortes a la Javier Milei. A máquina federal americana é enorme, e cortes nas agências federais poderá levar dezenas ou centenas de milhares de americanos ao desemprego, inclusive na iniciativa privada.

Na questão externa, Trump anunciou que pretende terminar com a guerra na Ucrânia “de imediato”, mas sem explicar como, e que “provavelmente” deixará de enviar ajuda ao país. Em tal caso, a Ucrânia, para continuar a se defender da agressão russa, passaria a contar exclusivamente com a ajuda financeira e armamentística da Europa, que deveria estar muito mais focada em se livrar de uma vez da constante ameaça do urso pós-soviético.

No comércio, os anúncios de Trump tem sido no mínimo confusos. Por um lado, manifestou sua intenção de fortalecer o dólar para que continue sendo o meio de pagamento preferido pelo resto mundo. Por outro, falou de impor pesadas tarifas de importação, não apenas aos produtos provenientes da China, como também aos de parceiros comerciais como México e Canadá, seus dois sócios no USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá), e até de aliados estratégicos como a União Europeia.

Dólar. Graças à longa prevalência de sua moeda no mundo, a economia americana tem hoje grande dependência de produtos e insumos total ou parcialmente produzidos no exterior. Trump deve saber que os próprios consumidores americanos acabarão pagando os aumentos de tarifas com que ameaça, e que isso fará aumentar a inflação interna, com o qual o dólar se debilitará.

E mesmo que diversas indústrias optem por mudar suas fábricas no exterior para o território americano, tal processo não será total nem imediato. E, mesmo se ocorrer, as empresas passariam a arcar com custos mais altos de se produzir nos EUA, e não mais no México, na China etc.

Blefe. Ainda é cedo para saber se o experiente jogador Donald Trump tem reais intenções de provocar o que poderia ser um terremoto em escala global nas relações dos EUA com o mundo, ou se blefa para forçar seus parceiros comerciais a levar a negociação a sério.

OTAN. Desde seu primeiro governo Trump tem insistido com que a Europa não contribui o suficiente para os gastos da organização, o que é, pelo menos parcialmente, verdade. A Europa só passou a investir mais pesadamente em defesa depois da invasão russa à Ucrânia em Fev/2022. Mesmo assim, muitos dos 32 países do pacto ainda confiam demais na capacidade militar dos EUA, o qual com a multiplicação dos conflitos pelo mundo – Ucrânia, Taiwan, Israel, Líbano, Síria, Irã, Coreia etc. – pode ser muito arriscado.

China. Há pelo menos três décadas vem invadindo os mercados mundiais com os mais diversos produtos, e com baixo preço. Isto por um lado contribuiu para manter a inflação global sob controle, mas por outro provocou desindustrialização, acelerada, especialmente nos países desenvolvidos incapazes de competir com os baixos custos chineses.

Embora tenha aprox. US$ 3 trilhões de reservas, o governo chinês não permite que o yuan se valorize, como corresponde a um país que enriquece, e mantém sua moeda artificialmente desvalorizada para fomentar suas exportações – e continuar a acumular bi/trilhões de dólares.

Carros. Nos últimos tempos, o governo chinês tem feito campanha contra os carros importados e induzido sua população a comprar os carros elétricos fabricados localmente, produto em que a China vem superando todos seus concorrentes. Resultado: as vendas das fabricantes europeias e americanas no importante mercado chinês despencaram de forma dramática, e muitas delas já enfrentam uma crise para a qual não estavam preparadas.

Europeus. Algo similar ocorre com os consumidores do velho continente. Trump tem reclamado que “a Europa não compra nossos carros”. Na verdade, nenhum país compra em forma massiva carros produzidos para o consumidor típico americano, que é diferente do consumidor médio europeu. Não obstante, as mais prestigiosas marcas europeias, japonesas e coreanas têm fábricas nos EUA, e produzem com insumos e mão de obra americanos.

Dentro de aprox. 40 dias Donald Trump tomará posse como 47mo presidente dos EUA. A partir de então poderemos ver se o anunciado terremoto nas relações do país com o mundo realmente acontecerá.

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