Ou até menos. Foi o que durou a aparência da presidente Dilma como comandante do país. Acabou quando, nos últimos dias de maio, seu mentor e antecessor desembarcou em Brasília para comandar a "operação abafa" do mais recente escândalo petista, mais uma vez envolvendo o ministro Antônio Palocci.
Já durante a campanha, a candidata Dilma demonstrava ser incapaz de articular dois pensamentos numa mesma frase. Mesmo assim, uma vez eleita muitos alimentaram a esperança de que, com seu estilo sério, e uma abordagem - só aparentemente - mais técnica e menos política das questões do governo, pudesse começar a endireitar algo do muito que está errado no governo petista.
De fato, nas semanas anteriores a este novo caso de corrupção, a presidente Dilma aparentava tentar pôr um freio no festival de nomeações políticas em órgãos e empresas estatais organizado pelos integrantes da base alugada.
A ilusão durou pouco. Quando Lula foi à reunião com senadores na casa de Sarney em Brasília, muitos achamos que foi sem ser chamado, que estava se metendo onde não devia. Depois foi revelado que foi atendendo a pedido expresso da própria presidente Dilma, numa evidente confissão de incompetência.
Fatos falam mais que mil palavras. Não adianta a presidente andar agora por ai declarando que não é refém, que não está imobilizada, etc. Se tivesse o "pulso firme" da sua improvável fama, teria demitido sumariamente o ministro faltoso, seu funcionário, e nomeado outro no lugar. Com isto, a "gerentona" teria preservado sua gestão e dado ao seu paralisado governo uma imagem de continuidade.
Ao contrário, o pedido de socorro ao antecessor, e a permanência no governo do ministro Palocci - cujas explicações não convencem nem seus próprios aliados - dão à presidente Dilma atestado de incapacidade para lidar com problemas que todos sabíamos teria uma vez passada a "lua-de-mel". O que é pior, prova a inépcia da presidente para descolar as questões do governo dos assuntos do partido e de seus fisiologistas aliados.
Nada disto isenta o Lula de responsabilidade. Se tivesse um pouco de respeito por sua candidata e sucessora, teria conduzido as tais "negociações", por abomináveis que sejam, de forma mais discreta e não em tom de palanque como fez. Preocupado em salvar o comparsa Palocci, e manter seus aliados contentes, não se importou em deixar a presidente Dilma em tão delicada situação.
Seja qual for o desfecho do caso Palocci, o episódio dá a tônica de como será o governo Dilma nos mais de três anos e meio que a presidente tem pela frente.

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