Pular para o conteúdo principal

150 dias




Ou até menos. Foi o que durou a aparência da presidente Dilma como comandante do país. Acabou quando, nos últimos dias de maio, seu mentor e antecessor desembarcou em Brasília para comandar a "operação abafa" do mais recente escândalo petista, mais uma vez envolvendo o ministro Antônio Palocci.

Já durante a campanha, a candidata Dilma demonstrava ser incapaz de articular dois pensamentos numa mesma frase. Mesmo assim, uma vez eleita muitos alimentaram a esperança de que, com seu estilo sério, e uma abordagem - só aparentemente - mais técnica e menos política das questões do governo, pudesse começar a endireitar algo do muito que está errado no governo petista.

De fato, nas semanas anteriores a este novo caso de corrupção, a presidente Dilma aparentava tentar pôr um freio no festival de nomeações políticas em órgãos e empresas estatais organizado pelos integrantes da base alugada.

A ilusão durou pouco. Quando Lula foi à reunião com senadores na casa de Sarney em Brasília, muitos achamos que foi sem ser chamado, que estava se metendo onde não devia. Depois foi revelado que foi atendendo a pedido expresso da própria presidente Dilma, numa evidente confissão de incompetência.

Fatos falam mais que mil palavras. Não adianta a presidente andar agora por ai declarando que não é refém, que não está imobilizada, etc. Se tivesse o "pulso firme" da sua improvável fama, teria demitido sumariamente o ministro faltoso, seu funcionário, e nomeado outro no lugar. Com isto, a "gerentona" teria preservado sua gestão e dado ao seu paralisado governo uma imagem de continuidade.

Ao contrário, o pedido de socorro ao antecessor, e a permanência no governo do ministro Palocci - cujas explicações não convencem nem seus próprios aliados - dão à presidente Dilma atestado de incapacidade para lidar com problemas que todos sabíamos teria uma vez passada a "lua-de-mel". O que é pior, prova a inépcia da presidente para descolar as questões do governo dos assuntos do partido e de seus fisiologistas aliados.

Nada disto isenta o Lula de responsabilidade. Se tivesse um pouco de respeito por sua candidata e sucessora, teria conduzido as tais "negociações", por abomináveis que sejam, de forma mais discreta e não em tom de palanque como fez. Preocupado em salvar o comparsa Palocci, e manter seus aliados contentes, não se importou em deixar a presidente Dilma em tão delicada situação.

Seja qual for o desfecho do caso Palocci, o episódio dá a tônica de como será o governo Dilma nos mais de três anos e meio que a presidente tem pela frente.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tiradentes y Papa Francisco a un año de su muerte

  Hoy 21 de abril es feriado nacional de Tiradentes en Brasil. Joaquim José da Silva Xavier (1746–1792) fue un militar, dentista – por eso el mote de Tiradentes – y activista político minero (del estado brasileño de Minas Gerais), principal líder del movimiento que pasó a la historia de Brasil como Inconfidencia Mineira . Tres décadas antes de que fuera proclamada por Pedro I en 1822 , Tiradentes fue un adelantado de la lucha por la independencia de Brasil y contra la explotación de las riquezas de su patria por la metrópolis portuguesa. Tiradentes lideró el movimiento separatista que buscaba libertar el actual estado de Minas Gerais (en aquel entonces Minas d’Ouro) del dominio portugués y establecer una república. La Proclamación de la República , como se la conoce hoy día, sólo sucedería mediante el golpe militar al monarca Pedro II por parte del Mariscal Deodoro da Fonseca , el 15 de noviembre de 1899 . Tal cual Jesucristo, Tiradentes fue traicionado por integrantes del m...

A queda de Maduro e o futuro da Venezuela

  Com precisão cirúrgica, na madrugada de 03/01/2026 as forças especiais   Delta Force  dos EUA arrancaram Nicolás Maduro e esposa de sua residência em Caracas enquanto dormiam. Não há como não suspeitar de que a cúpula militar corrupta que protegia a Maduro tenha-lhe soltado a mão para não arriscar um confronto bélico com as forças do Tio Sam.  Salvando as distâncias, esta operação  dos EUA foi na mesma data, 36 anos antes, e similar à captura do então ditador panamenho Manuel Noriega em 1990. Alguns meios já falam em "mudança de regime" na Venezuela. Por enquanto, nada permite vislumbrar tal coisa: a vice-presidente Delcy Rodríguez continua em funções (não se sabe com que nível de poder), porque o real homem forte, Diosdado Cabello , já andou se deixando filmar em uniforme militar e falando em "resistência contra a agressão ianque". Fato: o chavismo bolivariano não teria durado 26 anos (1/4 de século) se não estivesse firmemente apoiado nas baionetas d...

The return of the madman

  Tremendo o vídeo do encontro do presidente Trump , o vice-presidente J.D. Vance , e o Volodymyr Zelensky na Casa Branca. Não se tem notícias de outro caso na história em que um chefe de estado tenha sido tão mal tratado e mandado calar a boca como fizeram com o presidente ucraniano. Zelensky se viu sozinho contra os dois titulares do Executivo que lhe deram uma reprimenda em uma língua que não é a sua, e não o deixaram falar . Contra a postura beligerante de Trump , Vance se mostrava com um sorriso irônico como dizendo, "Nada do que você falar aqui vai fazer diferença" . E certo momento, Zelensky pergunta ao Trump , "May I answer?"   Trump lhe responde que não, que ele não tem as cartas para jogar, e "You're disrespecting the country. This country" . Em momento algum Zelensky disse nada que possa ser interpretado como falta de respeito, nem ao presidente Trump , e nem ao povo americano. Aliás, Zelensky não conseguiu falar. Foi uma autêntica cil...