Há décadas vivemos de escândalos que sucedem uns a outros em ritmo alucinante. O caso de corrupção de hoje nos fará esquecer rapidamente o de ontem, e assim sucessivamente.
Não é diferente com o atual affaire Antônio Palocci. Teve a virtude de nos lembrar de suas andanças pela casa de tolerância de Brasília, onde tratava de negócios por fora enquanto era ministro da Fazenda de Lula, e sua ordem para que fosse quebrado o sigilo bancário do caseiro Francenildo, que o denunciou.
O caso Palocci teve o efeito de fazer todo mundo esquecer da votação do "código do desmatamento" comandada pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB), e considerada pelo próprio líder do governo na Câmara "uma vergonha para a presidente Dilma". Até um dos maiores plantadores de soja do Brasil, o ex-governador do MT e atual senador Blairo Maggi, membro da bancada ruralista, considera as modificações votadas na Câmara "uma anistia a desmatadores".
O código proposto por Aldo Rebelo constitui um fato muito mais grave que os R$ 20 milhões que Palocci embolsou praticando sua duvidosa consultoria. Como está, o código deixa a porta aberta para novos crimes ambientais, pondo em perigo um dos maiores patrimônios do Brasil e da humanidade: suas florestas. Florestas, aliás, que vêm sendo desmatadas a um ritmo crescente. De continuar assim, dentro de pouco estas somente existirão na letra do nosso hino nacional.
O código florestal nas mãos do Aldo Rebelo é muito ruim para o Brasil, como também o é a construção de novas e perigosas usinas nucleares sob o comando do ministro Edison Lobão. Junto com os que escrevem as estranhas cartilhas do MEC, Rebelo e Lobão formam uma verdadeira "tropa do mal".
Qual o interesse destes senhores em perpetrar tais crimes contra a natureza e a cidadania? É algo que precisa ser detido a todo custo e investigado com rigor. Os cidadãos de bem precisamos tomar consciência destas manobras antes que seja tarde.
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