O Brasil é mesmo singular. Durante mais de duas décadas O PT na oposição não hesitou em criticar toda iniciativa dos governos de turno, aqui incluídos dois personagens lamentáveis da política brasileira como são os ex-presidentes Sarney e Collor, hoje seus leais aliados.
A vida dá voltas, e um dia o PT teria a chance de fazer diferente. Chegado o momento, o que o PT faz? Tudo ao contrário do que declamava: aparelha o governo, incha a máquina do Estado Brasileiro como “nunca antes nesse país”, e usa os recursos públicos em benefício... próprio e de seus “aliados”.
A mais recente negociata promovida pela administração petista do BNDES: R$ 4 bilhões (aprox. 7.400.000 salários mínimos) em recursos públicos serão dados ao Grupo Pão de Açúcar para que este possa comprar uma participação de 11% no grupo francês Carrefour.
Deve ser difícil explicar qual seria o interesse público em concentrar ainda mais o já altamente concentrado setor de supermercados brasileiro, que há anos vem experimentando diversas fusões e aquisições.
Na área metropolitana de São Paulo, por exemplo, a enorme maioria dos supermercados é Pão de Açúcar (dono do Extra, Compre Bem, etc.), Carrefour (dono do Dia), Sonda (grupo Sonae), e Walmart (dono do Sam’s Club). Existem alguns outros supermercados menores, mas que não incomodam a estes quatro gigantes do setor.
Há vários anos o Pão de Açúcar é sócio do principal concorrente do Carrefour, o também francês grupo Casino, que atualmente detém 37% da sociedade. Em 2005, Abílio Diniz, dono do Pão de Açúcar, vendeu ao Casino o controle da empresa, o que seria concretizado a partir de 2012. Na ocasião, embolsou pela cessão do controle uma bilionária quantia.
Parece que o empresário brasileiro não tinha intenção de cumprir o acordo. Dias atrás procurou o BNDES e propôs um negócio de interesse estritamente privado. Por incrível que pareça, ao invés de rejeitar a proposta - por não ser de interesse nacional - o Governo Federal deu seu aval. O dinheiro a ser liberado pelo BNDES representa nada menos que 85% dos fundos necessários para concretizar a compra, mas o banco estatal ficará com uma participação de apenas 18% na nova empresa.
O bilionário Abílio Diniz, dono do Pão de Açúcar, não precisa do dinheiro do BNDES para ficar ainda mais rico, recursos que seriam muito melhor empregados se destinados, por exemplo, à paupérrima rede brasileira de hospitais públicos, que se encontra em estado lamentável.
O cidadão/contribuinte consciente deve se pronunciar contra esta nova farra privada financiada com dinheiro público promovida pelo PT. Os recursos que o BNDES administra são de todos, e não podem ir a facilitar negócios estritamente privados como neste caso.

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