Nos últimos dois meses vêm acontecendo “faxinas” em (até agora) três ministérios atingidos por diversas denúncias de corrupção, desvio de dinheiro público, nepotismo, etc. No dos Transportes, a informação da grande quantidade de obras superfaturadas somente chegou até a opinião pública graças ao eficiente trabalho de jornalistas.
No Ministério da Agricultura, a insólita rede de nepotismo cruzado e as falcatruas com alimentos destinados à população só foram conhecidas porque um dos membros do esquema perdeu a boquinha, e resolveu dar com a língua nos dentes. É lamentável constatar que, nestes dois casos, a corrupção não tenha sido denunciada e/ou descoberta por qualquer órgão de controle, a polícia, ou a justiça.
Somente no Ministério do Turismo os desvios foram desvendados pela “Operação Voucher” da Polícia Federal – aparentemente levada a cabo sem conhecimento do seu chefe máximo, o Ministro da Justiça. Porém, bastou aparecerem fotos dos fraudadores algemados para que algumas autoridades, inclusive a presidente Dilma, manifestassem indignação.
Por quê? Algemar criminosos é procedimento padrão da polícia. Algema-se o sujeito para evitar que escape e/ou agrida o policial que o prendeu. E criminosos de colarinho branco podem ser tão perigosos quanto assaltantes comuns. Talvez a PF tenha cometido algum excesso ao fotografar os sujeitos sem roupa; não havia necessidade de tal procedimento - até porque são todos muito feios.
Portanto, ninguém deveria se indignar tanto pelo uso das algemas, não mais que pelo fato desses assaltantes estarem desviando dinheiro público. Isto sim é um bom motivo de indignação.
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