Na madrugada do sábado 9 de julho, o engenheiro Marcelo Malvio de Lima (36) bateu com seu Porsche no Hyundai Tucson da advogada Carolina Santos (28), que teve morte instantânea. Isto ocorreu no cruzamento das ruas Bandeira Paulista e Joaquim Floriano, no Itaim Bibi. Segundo a polícia, no momento do impacto Marcelo Lima ia a pelo menos a 150 km/h e estava alcoolizado. Aproveitando a madrugada, Carolina deve ter avançado o farol vermelho.
Em depoimento à jornalista da Folha, Marcelo Lima assume o papel de vítima e alega estar no momento da colisão “pouco acima dos 60 km/h”. Quem vê as fotos custa a acreditar. O Tucson foi arremessado contra poste e muro, ficando irreconhecível. O Porsche também foi totalmente destruído, mas o causador da tragédia, que não teve ferimentos, salvou-se. Sua mãe alegou estar sofrendo “tanto quanto a mãe da vítima” e que “reza pela família”.
Na madrugada do sábado 23 de julho, a nutricionista Gabriela Pereira (28) dirigia seu Land Rover na rua Natingui, na Vila Madalena, quando perdeu o controle do carro, bateu num muro, e capotou, atropelando e matando o administrador Vítor Gurman (24), que ia a pé. A motorista, alcoolizada segundo a polícia, negou-se a fazer o teste do bafômetro, e foi encaminhada ao IML para teste de dosagem alcoólica.
Da mesma forma que no caso anterior, na entrevista publicada, a causadora desta nova tragédia, que não sofreu ferimentos, assume também o papel de vítima e diz “rezar pela família do rapaz”. Parece que um copiou o script do outro. Nenhum dos dois se feriu, mas ambos foram responsáveis pela morte do outro ser humano envolvido no episódio.
Estes são apenas dois dos diversos casos envolvendo os carros de alta potência que a classe média paulistana vem comprando ultimamente. Junto com o tamanho do automóvel, também cresce nesses motoristas a sensação de segurança e impunidade, junto com a falta de educação e de respeito pelos outros motoristas e pelos pedestres.
Com freqüência, as câmeras flagram carros trafegando na contramão das rodovias paulistas ou a altas velocidades nas marginais. São geralmente motoristas alcoolizados e/ou drogados, sem condições mínimas de dirigir essas verdadeiras máquinas de matar. Enquanto nada grave acontece, a mistura de álcool e direção é festejada por muitos como demonstração de esperteza. Quando a tragédia vem, tentam aparecer para a opinião pública como vítimas.
Pouco tempo atrás, voltando de Guarulhos um taxista me dizia que, no Brasil, a melhor forma de matar alguém não é com tiro ou facada: o atropelamento é a melhor forma de sair impune. Ninguém vai preso. Irresponsáveis ao volante precisam ser tratados como o que são: assassinos motorizados, e punidos como se tivessem utilizado uma pistola ou outra arma igualmente mortal.
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