Quando dias atrás o ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, retomou sua banca no Senado, pronunciou uma frase no mínimo insólita, que de imediato foi motivo de chacota nos meios. “Eu não sou lixo. Meu partido não é lixo”, disse o senador, que pediu demissão no início de julho sem sequer iniciar a investigação das muitas falcatruas em seu ministério, conforme lhe tinha sido encomendado pela presidente Dilma Rousseff.
A frase chama a atenção porque, apesar de ninguém tê-lo chamado assim, o qualificativo é bem merecido, tal a quantidade de obras superfaturadas que ocorriam debaixo do seu nariz. Sob o comando de seu partido de aluguel, o PR, a estrutura do Ministério dos Transportes era uma verdadeira organização mafiosa, em que as obras eram contratadas não em função do interesse nacional, e sim do lucro que podiam gerar para empresas fantasmas de parentes e amigos.
Tudo indica que o demitido ministro era uma “rainha de Inglaterra”, sem poder real para desmantelar um esquema do qual ele também fazia parte. Tanto que um dos seus subordinados, Luiz Pagot, resistiu longamente, e até ameaçou revelar sujeiras diversas, antes de retornar de férias e finalmente pedir demissão. É o mesmo sujeito que agora propõe uma CPI, conhecido instrumento de extorsão. Comportamento típico de mafiosos.
Não consta que alguém tenha usado o “elogio” que motivou a queixa do ex-ministro, mas alguém precisa esclarecer que fundos públicos desviados para bolsos privados fazem qualquer um merecedor do qualificativo. O dinheiro que corruptos desviam é o dinheiro que falta para hospitais, escolas, segurança, infra-estrutura, etc.
Por isso, Vossa Excelência, vocês, e todos os corruptos como vocês, são lixo, sim!
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