Dias atrás, o Shopping Center Norte, segundo maior de São Paulo e que dá emprego a milhares de pessoas, foi interditado por ação conjunta da Cetesb, empresa estadual de saneamento, e a PMSP.
Inaugurado em 1984, o Center Norte foi construído em um terreno de propriedade da família Baumgart onde até 1975 funcionou um lixão. O motivo alegado para a interdição é o continuo vazamento de gás metano proveniente dos resíduos que ainda permanecem no solo.
Dias depois, os habitantes do Conjunto Habitacional “Cingapura” da Av. Zachi Narqui, construído nos anos ’90 durante a administração municipal de Paulo Maluf, foram ameaçados de evacuação pelos mesmos motivos.
Não há dúvida que o objetivo primordial das administrações estadual e municipal deve ser a proteção e segurança de lojistas, fornecedores, empregados e clientes que freqüentam esse centro de compras, como também dos moradores do conjunto habitacional.
Porém, certas perguntas continuam sem resposta. Por que somente agora, quase três décadas depois, no caso do shopping, as autoridades resolvem lembrar o gás metano que emana do solo? Por que sua construção foi autorizada na época, quando provavelmente a emissão do gás estava tão presente quanto agora?
No caso do shopping, muitos lojistas já reclamam da queda nas vendas originada pela publicidade negativa gerada, e no caso do “Cingapura”, é muito provável que os moradores não tenham para onde ir e a PMSP tenha que arcar com diárias de hotel, alimentação, etc.
A única explicação possível para tudo isto é o descaso e a negligência por parte dos funcionários estaduais e municipais encarregados de verificar as condições dos terrenos e estender as autorizações correspondentes.
Em caso de ação na justiça movida pelos afetados, tanto o Estado quanto a PMSP se veriam em maus lençóis, e o contribuinte seria mais uma vez chamado a pagar a conta.
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