Semanas atrás, quando do comentado caso do rompimento de implantes de silicone, vi o diretor-presidente da ANVISA declarando que "as normas técnicas brasileiras são claras", e que evidentemente não tinham sido cumpridas. Na mesma entrevista, o funcionário manifestou que as mulheres afetadas tinham desembolsado “entre R$ 6.500 e R$ 8.000 para colocar os implantes”, uma soma fora do alcance da maioria das brasileiras – e que o sistema público de saúde assumiria os custos decorrentes da reparação.
Implantes de silicone nos seios são cirurgias caras e eletivas, feitas por cirurgiões plásticos que ganham muito dinheiro com isso. Os materiais e insumos são fornecidos por grandes multinacionais, neste caso uma empresa francesa. Todos, cirurgiões e empresas, obtêm grandes lucros com este (não tão novo) sonho de consumo das classes médias.
Ora, se alguém se beneficia com o implante de silicone enquanto é funcional, por que o SUS tem que pagar pela cirurgia reparadora quando a coisa desanda? Porque é isso que significa: ao repassar a conta para o SUS, está sendo repassada para todos nós, queiramos ou não.
Vamos supor que um certo número de homens decide ceder ao grande volume de publicidade recebido diariamente e se submeter à cirurgia de aumento peniano e que, depois de um tempo, essas cirurgias dão errado. Você acharia justo que o SUS, sustentado pelos nossos impostos, tenha que arcar com a reparação dos respectivos bilaus?
É evidente que não. Cirurgias como implantes de silicone ou aumento peniano, são eletivas, opcionais, de luxo. Não são procedimentos de emergência. Os custos de eventuais erros devem ser suportados exclusivamente pelos responsáveis. Neste caso, a multinacional francesa que forneceu os implantes, e os cirurgiões plásticos que fizeram a escolha. Esta é a única forma de evitar que o incidente ocorra novamente.
Enquanto o SUS se dispõe a alegremente pagar por cirurgias reparadoras para mulheres vítimas de gananciosos e fraudadores, pessoas em geral da classe baixa morrem todos os días em macas, e até no chão, nos corredores dos hospitais públicos, porque não há leitos suficientes, conforme as TVs mostram a diário.
O caso dos implantes de silicone é um bom exemplo de como o governo do PT transformou o sistema de agências reguladoras - criado na gestão anterior - em uma Casa-da-Mãe-Joana onde tudo vale. A demagogia como política de Estado.
O funcionário encarregado de cuidar do patrimônio de todos resolve fazer um agrado para uma minoria endinheirada, e decide que os custos da reparação serão absorvidos pelo SUS.
Pronto. Os outros não contam. O cidadão/contribuinte é chamado a pagar a conta. Os verdadeiros responsáveis continuarão impunes - e milionários.
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