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De como o PT privatizou o governo

O Brasil é mesmo singular. Durante mais de duas décadas O PT na oposição não hesitou em criticar toda iniciativa dos governos de turno, aqui incluídos dois personagens lamentáveis da política brasileira como são os ex-presidentes Sarney e Collor, hoje seus leais aliados. A vida dá voltas, e um dia o PT teria a chance de fazer diferente. Chegado o momento, o que o PT faz? Tudo ao contrário do que declamava: aparelha o governo, incha a máquina do Estado Brasileiro como “nunca antes nesse país” , e usa os recursos públicos em benefício... próprio e de seus “aliados”. A mais recente negociata promovida pela administração petista do BNDES: R$ 4 bilhões (aprox. 7.400.000 salários mínimos) em recursos públicos serão dados ao Grupo Pão de Açúcar para que este possa comprar uma participação de 11% no grupo francês Carrefour .  Deve ser difícil explicar qual seria o interesse público em concentrar ainda mais o já altamente concentrado setor de supermercados brasileiro, que há anos v...

Nosso escândalo novo de cada dia

Há décadas vivemos de escândalos que sucedem uns a outros em ritmo alucinante . O caso de corrupção de hoje nos fará esquecer  rapidamente   o de ontem, e assim sucessivamente. Não é diferente com o atual affaire Antônio Palocci . Teve a virtude de nos lembrar de suas andanças pela casa de tolerância de Brasília, onde tratava de negócios por fora enquanto era ministro da Fazenda de Lula, e sua ordem para que fosse quebrado o sigilo bancário do caseiro Francenildo , que o denunciou. O caso Palocci teve o efeito de fazer todo mundo esquecer da votação do "código do desmatamento" comandada pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB), e considerada pelo próprio líder do governo na Câmara "uma vergonha para a presidente Dilma" . Até um dos maiores plantadores de soja do Brasil, o ex-governador do MT e atual senador Blairo Maggi , membro da bancada ruralista, considera as modificações votadas na Câmara "uma anistia a desmatadores" . O código proposto por Aldo Rebelo...

150 dias

Ou até menos. Foi o que durou a aparência da presidente Dilma como comandante do país. Acabou quando, nos últimos dias de maio, seu mentor e antecessor desembarcou em Brasília para comandar a "operação abafa" do mais recente escândalo petista, mais uma vez envolvendo o ministro Antônio Palocci . Já durante a campanha, a candidata Dilma demonstrava ser incapaz de articular dois pensamentos numa mesma frase . Mesmo assim, uma vez eleita muitos alimentaram a esperança de que, com seu estilo sério, e uma abordagem - só aparentemente - mais técnica e menos política das questões do governo, pudesse começar a endireitar algo do muito que está errado no governo petista. De fato, nas semanas anteriores a este novo caso de corrupção, a presidente Dilma aparentava tentar pôr um freio no festival de nomeações políticas em órgãos e empresas estatais organizado pelos integrantes da base alugada. A ilusão durou pouco . Quando Lula foi à reunião com senadores na casa de Sarney em Bras...

Horror de sexta-feira 13

Hoje, na CBN, uma interessante discussão originada pelo fato de o Ministério da Educação (MEC) ter lançado recentemente um livro com o sugestivo nome de "Por uma vida melhor", no qual são convalidadas expressões erradas do falar popular como, por exemplo, "nóis pega o peixe". O livro já estaria sendo distribuído às escolas do país. Com a polêmica naturalmente gerada, a explicação do MEC é que a inclusão deste tipo de expressões visa combater a discriminação que muita gente sofre por não saber falar corretamente. Num país com as dificuldades e os desafios do Brasil é de se esperar que milhares, talvez milhões de brasileiros não saibam conjugar corretamente os verbos. Contudo, o fato de a maioria em seu bairro/cidade/estado falar errado não torna esse jeito de falar correto. E ninguém vai "viver melhor" por falar errado. Ao contrário, a língua faz parte dos bens fundamentais da cidadania. Falar errado significa degradação. Em lugar de validar esse jeito de ...

Ilegal versus ilícito

Tempo atrás, num filme americano, um dos personagens, um juiz veterano, cansado de ver advogados espertos livrarem a cara de criminosos com base em tecnicalidades, diz a seguinte frase: "Alguém pegou a Justiça e a escondeu na Lei". É este o motivo de tanta gente ter ficado desapontada com o voto de desempate do Min. Luiz Fux na questão “Ficha Limpa”. Sem dúvida, seu "voto de Minerva" significa um duro golpe para a causa da luta contra a corrupção nefte paíf . Graças a ele, voltam para o Senado, a Câmara e outros cargos pelo Brasil afora diversos velhos corruptos da política brasileira – alguns com causas correndo há décadas na justiça – que continuarão cometendo ilícitos protegidos por essa vergonha chamada “foro privilegiado”. Analistas consideram que a chegada do Min. Luiz Fux ao STF veio a desfazer o impasse instalado desde a saída por aposentadoria do ministro Eros Grau. Ate então, o tribunal estaria dividido entre “técnicos”, oh coincidência, favoráveis ao go...

O PT e o Banco Panamericano

Quinta-feira passada foi anunciada a saída de Maria Fernanda Coelho da presidência da Caixa Econômica Federal. O motivo teriam sido desavenças com Ricardo Palocci, atual ministro-chefe da Casa Civil, pela nomeação de apadrinhados políticos do PT nas diretorias da instituição (nada diferente ao que é prática comum do partido em ministérios, empresas públicas, etc.). Tudo muito folclórico – o PT já nos tem acostumados - não fosse a própria Maria Fernanda Coelho responsável pela compra, em Novembro de 2009, de 49% do capital votante do Banco Panamericano, que custou aos cofres públicos R$ 780 milhões. Na ocasião, nem a agora ex-presidente da CEF, nem seu vice-presidente de Finanças, Márcio Percival – que continua no cargo – lembraram de pedir a usual “due dilligence”, providência que é praxe de mercado, e que qualquer executivo da área financeira faz questão de tomar antes de autorizar a compra de ações de outra empresa. Como foi amplamente divulgado na época, em Setembro de 2010 o bili...

Lobão, outra vez

Mas não é o músico, não. É o ministro Edison Lobão, que por terceira vez desde que está à frente do Ministério das Minas e Energia precisou enfrentar uma roda de imprensa para explicar um apagão. Entre os governos Lula e Dilma, já são três os apagões que o ministro Lobão teve que "administrar" - com sua conhecida competência. Impecavelmente trajado, penteado e até maquiado, o ministro Edison Lobão apareceu ante as câmeras e, como das vezes anteriores, soltou suas pérolas: "O sistema brasileiro de distribuição de energia é simplesmente perfeito. Não há no mundo outro como o nosso." Se ele diz. . . Por enquanto o placar está assim: PT 3 x 1 PSDB. O governo do PT vai ganhando com folga do PSDB no quesito apagões, e de continuar assim vai acabar dando de goleada. Alguma vez alguém terá que explicar por quê um político como Edison Lobão ocupa uma pasta eminentemente técnica como o Ministério das Minas e Energia. O contribuinte, que paga a conta da incompetência, merec...