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Shoot the Messenger

Interessante o que vem ocorrendo com os diversos governos ditos "de esquerda" que atualmente ocupam praticamente todo o mapa da América Latina: uma vez no poder agem exatamente igual, e com a mesma boçalidade, que as ditaduras militares de direita que padecemos em décadas passadas. Diziam combater a ditadura de direita, mas ao chegar ao poder se sovietizam. O mais recente exemplo é o documento do PT prévio ao seu 4° Congresso, que vai de hoje até domingo em Brasília. Em um dos trechos, o documento rejeita a "faxina anticorrupção" que teria sido empreendida pela presidente Dilma , e joga as culpas na "oposição aliada a uma conspiração midiática" .  São quase as mesmas palavras usadas, por exemplo, pelo governo da presidente argentina Cristina Kirchner para explicar - na prática, negar - os diversos casos de corrupção de sua administração. Ora, após as eleições de 2010, a oposição perdeu no Congresso Brasileiro ainda mais espaço do que tinha. Além disto...

Já jogou a toalha

No começo de julho houve no Ministério dos Transportes uma série de demissões que, além do ministro “não-sou-lixo”, arrastou poderosos funcionários de alta patente – a maioria de um partido de aluguel chamado PR – que manejavam grandes somas de dinheiro público a discrição e com inegável amor familiar. A seguir, as denúncias no Ministério da Agricultura, desta vez deflagradas pelo clássico caso do parente que, excluído da partilha, acaba dedurando os outros integrantes do esquema. Tudo sazonado com um criativo nepotismo cruzado. O ministro de sorriso mafioso conseguiu se segurar um pouco, mas acabou demitido. Na seqüencia, veio a operação da PF que detectou falcatruas diversas no Ministério do Turismo. Aqui avançamos um pouco mais, com diversos integrantes da quadrilha algemados e fotografados - apesar de sua feiúra - como vieram ao mundo. O pequeno ministro de olhar engraçado ainda tenta dar explicações – que não convencem ninguém. Muitos ficamos entusiasmados com o que parecia...

Algemas, por que não?

Nos últimos dois meses vêm acontecendo “faxinas” em (até agora) três ministérios atingidos por diversas denúncias de corrupção, desvio de dinheiro público, nepotismo, etc. No dos Transportes, a informação da grande quantidade de obras superfaturadas somente chegou até a opinião pública graças ao eficiente trabalho de jornalistas. No Ministério da Agricultura, a insólita rede de nepotismo cruzado e as falcatruas com alimentos destinados à população só foram conhecidas porque um dos membros do esquema perdeu a boquinha, e resolveu dar com a língua nos dentes. É lamentável constatar que, nestes dois casos, a corrupção não tenha sido denunciada e/ou descoberta por qualquer órgão de controle, a polícia, ou a justiça. Somente no Ministério do Turismo os desvios foram desvendados pela “Operação Voucher” da Polícia Federal – aparentemente levada a cabo sem conhecimento do seu chefe máximo, o Ministro da Justiça. Porém, bastou aparecerem fotos dos fraudadores algemados para que algumas autori...

Lixo, sim.

Quando dias atrás o ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, retomou sua banca no Senado, pronunciou uma frase no mínimo insólita, que de imediato foi motivo de chacota nos meios. “Eu não sou lixo. Meu partido não é lixo”, disse o senador, que pediu demissão no início de julho sem sequer iniciar a investigação das muitas falcatruas em seu ministério, conforme lhe tinha sido encomendado pela presidente Dilma Rousseff. A frase chama a atenção porque, apesar de ninguém tê-lo chamado assim, o qualificativo é bem merecido, tal a quantidade de obras superfaturadas que ocorriam debaixo do seu nariz. Sob o comando de seu partido de aluguel, o PR, a estrutura do Ministério dos Transportes era uma verdadeira organização mafiosa, em que as obras eram contratadas não em função do interesse nacional, e sim do lucro que podiam gerar para empresas fantasmas de parentes e amigos. Tudo indica que o demitido ministro era uma “rainha de Inglaterra”, sem poder real para desmantelar um esquema do...

Está ficando cada vez pior

Na madrugada do sábado 9 de julho, o engenheiro Marcelo Malvio de Lima (36) bateu com seu Porsche no Hyundai Tucson da advogada Carolina Santos (28), que teve morte instantânea. Isto ocorreu no cruzamento das ruas Bandeira Paulista e Joaquim Floriano, no Itaim Bibi. Segundo a polícia, no momento do impacto Marcelo Lima ia a pelo menos a 150 km/h e estava alcoolizado. Aproveitando a madrugada, Carolina deve ter avançado o farol vermelho. Em depoimento à jornalista da Folha, Marcelo Lima assume o papel de vítima e alega estar no momento da colisão “pouco acima dos 60 km/h”. Quem vê as fotos custa a acreditar. O Tucson foi arremessado contra poste e muro, ficando irreconhecível. O Porsche também foi totalmente destruído, mas o causador da tragédia, que não teve ferimentos, salvou-se. Sua mãe alegou estar sofrendo “tanto quanto a mãe da vítima” e que “reza pela família”. Na madrugada do sábado 23 de julho, a nutricionista Gabriela Pereira (28) dirigia seu Land Rover na rua Natingui, na V...

She won’t go

Como numa triste rotina, Amy Winehouse morreu este sábado em Londres, aos 27 anos, provavelmente de overdose. É a mais recente estrela do pop-rock a morrer, empenhada como parecía em confirmar a frase de Cazuza. Sua morte foi a tragédia mais anunciada dos últimos tempos, seguida em tempo real pelos meios de todo o mundo. Em macabra coincidência, Amy morreu com a mesma idade que outros ídolos do gênero como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, e Kurt Cobain. O talento de Amy Winehouse era inegável, tendo resgatado em suas composições o som dos anos 60 e 70. Não obstante, grande era também sua capacidade de autodestruição. Nos últimos tempos vinha dando vexames em seus últimos shows, quando seu péssimo estado físico e mental não lhe permitia lembrar as letras nem terminar as músicas. Repassando seus clipes e letras, não é exagerado dizer que Amy Winehouse constituía uma preocupante imagem dos nossos tempos, em que boa parte de nós, habitantes de um planeta com quase 7 bilhões de...

Não ao “Carreçúcar” (por enquanto)

Esta semana o BNDES anunciou que estava desistindo de pôr dinheiro na fusão do Pão de Açúcar – Carrefour. A decisão parece ser definitiva. Será? Seja como for, o contribuinte precisa se manter em alerta, porque, como foi anunciada, a desistência se deve aos motivos errados. Vale lembrar que quando o esquema foi publicado, a opinião pública se manifestou majoritariamente contra o uso de dinheiro público em um negócio essencialmente privado. Na ocasião, pelo menos dois ministros, Gleisi Hoffmann e Fernando Pimentel, defenderam publicamente o que qualificaram de “um excelente negócio para o BNDES”. Entre os principais argumentos, que seria criado um “campeão nacional”, e que a nova empresa seria um canal para colocar produtos brasileiros na Europa. Argumentos falsos. Primeiro, porque na pretendida fusão o Pão de Açúcar seria minoritário na nova empresa. Segundo, porque se fosse verdade que uma cadeia de supermercados é o que se necessita para vender produtos em outros países, Carrefour ...