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Perguntas sobre o caso Center Norte

Dias atrás, o Shopping Center Norte, segundo maior de São Paulo e que dá emprego a milhares de pessoas, foi interditado por ação conjunta da Cetesb, empresa estadual de saneamento, e a PMSP. Inaugurado em 1984, o Center Norte foi construído em um terreno de propriedade da família Baumgart onde até 1975 funcionou um lixão. O motivo alegado para a interdição é o continuo vazamento de gás metano proveniente dos resíduos que ainda permanecem no solo. Dias depois, os habitantes do Conjunto Habitacional “Cingapura” da Av. Zachi Narqui, construído nos anos ’90 durante a administração municipal de Paulo Maluf, foram ameaçados de evacuação pelos mesmos motivos. Não há dúvida que o objetivo primordial das administrações estadual e municipal deve ser a proteção e segurança de lojistas, fornecedores, empregados e clientes que freqüentam esse centro de compras, como também dos moradores do conjunto habitacional. Porém, certas perguntas continuam sem resposta. Por que somente agora, quase três d...

Juízes acima da lei?

Lamentável o pedido do presidente do TJ-SP, Des. José Roberto Bedran, para que a Secretaria da Segurança Pública crie a figura do “Delegado Especial” para cuidar de ocorrências policiais que envolvam juízes e desembargadores. O pedido vem na esteira do episódio envolvendo o Juiz Francisco Orlando de Souza, quem em 9/10 se envolveu em briga de trânsito e foi detido pela polícia sob suspeita de dirigir embriagado, além de ser flagrado sem habilitação. Como sempre acontece nestes casos, o detido negou a embriaguez e foi liberado no mesmo dia. Apesar do antecedente negativo, dias depois o mesmo juiz Francisco Orlando de Souza foi promovido a desembargador por antiguidade, ocasião em que, segundo a Folha, seus colegas criticaram a detenção e levantaram suspeitas sobre a conduta do delegado de polícia que atuou no caso. Conforme as normas vigentes, quando um juiz ou desembargador é detido por delito comum, a polícia deve comunicar o TJ. Porém, a comunicação pode ser feita pelo delegado at...

Calcinha e sutiã

Finalmente o Conar (Conselho de Autoregulamentação Publicitária) avaliou, e não achou nada de errado no comercial de lingerie que mostra uma famosa top model brasileira dando ao marido uma má notícia, primeiro do jeito errado – toda vestida – e depois do jeito certo: trajando sugestiva lingerie. A suspensão do comercial tinha sido solicitada pela SPM (Secretaria de Políticas para Mulheres), órgão diretamente ligado – não podia ser diferente – à Presidência da República. Com quase 40 ministérios, e grande número de secretarias com status de ministério, a SPM é mais um no cipoal de órgãos com que PT e PMDB continuam aparelhando o governo. No comercial em questão, para sustentar seu pedido de suspensão, a SPM alegou que a peça publicitária degradava a imagem da mulher. Ora, a modelo não faz outra coisa que aquilo que, desde o início dos tempos, mulheres bonitas sempre fizeram: usar seus atributos físicos para conseguir o que querem. Quem for incapaz de entender isto, ou não conhece a ...

Shoot the Messenger

Interessante o que vem ocorrendo com os diversos governos ditos "de esquerda" que atualmente ocupam praticamente todo o mapa da América Latina: uma vez no poder agem exatamente igual, e com a mesma boçalidade, que as ditaduras militares de direita que padecemos em décadas passadas. Diziam combater a ditadura de direita, mas ao chegar ao poder se sovietizam. O mais recente exemplo é o documento do PT prévio ao seu 4° Congresso, que vai de hoje até domingo em Brasília. Em um dos trechos, o documento rejeita a "faxina anticorrupção" que teria sido empreendida pela presidente Dilma , e joga as culpas na "oposição aliada a uma conspiração midiática" .  São quase as mesmas palavras usadas, por exemplo, pelo governo da presidente argentina Cristina Kirchner para explicar - na prática, negar - os diversos casos de corrupção de sua administração. Ora, após as eleições de 2010, a oposição perdeu no Congresso Brasileiro ainda mais espaço do que tinha. Além disto...

Já jogou a toalha

No começo de julho houve no Ministério dos Transportes uma série de demissões que, além do ministro “não-sou-lixo”, arrastou poderosos funcionários de alta patente – a maioria de um partido de aluguel chamado PR – que manejavam grandes somas de dinheiro público a discrição e com inegável amor familiar. A seguir, as denúncias no Ministério da Agricultura, desta vez deflagradas pelo clássico caso do parente que, excluído da partilha, acaba dedurando os outros integrantes do esquema. Tudo sazonado com um criativo nepotismo cruzado. O ministro de sorriso mafioso conseguiu se segurar um pouco, mas acabou demitido. Na seqüencia, veio a operação da PF que detectou falcatruas diversas no Ministério do Turismo. Aqui avançamos um pouco mais, com diversos integrantes da quadrilha algemados e fotografados - apesar de sua feiúra - como vieram ao mundo. O pequeno ministro de olhar engraçado ainda tenta dar explicações – que não convencem ninguém. Muitos ficamos entusiasmados com o que parecia...

Algemas, por que não?

Nos últimos dois meses vêm acontecendo “faxinas” em (até agora) três ministérios atingidos por diversas denúncias de corrupção, desvio de dinheiro público, nepotismo, etc. No dos Transportes, a informação da grande quantidade de obras superfaturadas somente chegou até a opinião pública graças ao eficiente trabalho de jornalistas. No Ministério da Agricultura, a insólita rede de nepotismo cruzado e as falcatruas com alimentos destinados à população só foram conhecidas porque um dos membros do esquema perdeu a boquinha, e resolveu dar com a língua nos dentes. É lamentável constatar que, nestes dois casos, a corrupção não tenha sido denunciada e/ou descoberta por qualquer órgão de controle, a polícia, ou a justiça. Somente no Ministério do Turismo os desvios foram desvendados pela “Operação Voucher” da Polícia Federal – aparentemente levada a cabo sem conhecimento do seu chefe máximo, o Ministro da Justiça. Porém, bastou aparecerem fotos dos fraudadores algemados para que algumas autori...

Lixo, sim.

Quando dias atrás o ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, retomou sua banca no Senado, pronunciou uma frase no mínimo insólita, que de imediato foi motivo de chacota nos meios. “Eu não sou lixo. Meu partido não é lixo”, disse o senador, que pediu demissão no início de julho sem sequer iniciar a investigação das muitas falcatruas em seu ministério, conforme lhe tinha sido encomendado pela presidente Dilma Rousseff. A frase chama a atenção porque, apesar de ninguém tê-lo chamado assim, o qualificativo é bem merecido, tal a quantidade de obras superfaturadas que ocorriam debaixo do seu nariz. Sob o comando de seu partido de aluguel, o PR, a estrutura do Ministério dos Transportes era uma verdadeira organização mafiosa, em que as obras eram contratadas não em função do interesse nacional, e sim do lucro que podiam gerar para empresas fantasmas de parentes e amigos. Tudo indica que o demitido ministro era uma “rainha de Inglaterra”, sem poder real para desmantelar um esquema do...